DICIONÁRIO DE EXPRESSÕES E FRASES LATINAS

Compilado por HENERIK KOCHER

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S10: 1801-2000

1801. Sine labore non tenditur ad requiem, nec sine pugna pervenitur ad victoriam. [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 3.19.4] Sem trabalho não se caminha para o descanso, nem sem luta se chega à vitória. VIDE: Sine certamine non potes venire ad coronam.

1802. Sine loco. Sem indicação de lugar. (=Nas bibliografias usa-se a abreviatura sl).

1803. Sine lumine pereo. [Inscrição em relógio de sol] Sem a luz do sol, morro. VIDE: Sine sole sileo.

1804. Sine macula. Sem mancha. VIDE: Sine labe.

1805. Sine magistro vitia discuntur. Vícios aprendem-se sem professor. VIDE: Etiam sine magistro vitia discuntur. Vitia sine praeceptore discuntur.

1806. Sine magno damno. Sem grande prejuízo.

1807. Sine me sine te hoc opus perficere. [Jogo de palavras / Georgin 117] Deixa-me realizar esta tarefa sem ti.

1808. Sine me vocari pessimum, ut simul dives vocer. [Eurípides / Sêneca, Epistulae Morales 115.14] Deixa-me ser chamado de detestável, desde que seja também chamado de rico. Ande eu quente, e ria-se a gente.

1809. Sine missione nascimur. [Sêneca, Epistulae Morales 37.2] Nascemos para morrer.

1810. Sine mora. Sem demora. Sem adiamento.

1811. Sine nobilitate. Sem título de nobreza. (=Atribui-se à expressão sine nobilitate, abreviada em s.nob., usada em certas escolas inglesas para identificar os alunos que não eram da aristocracia; a origem da palavra inglesa snob, aportuguesada como esnobe).

1812. Sine nomine. Sem indicação de nome. (=Nas bibliografias significa que se desconhece o editor e se usa a forma abreviada sn).

1813. Sine nomine vulgus. [Erasmo, Epistula Domino Ioanni Sixtino] A multidão anônima. O zé-povinho.

1814. Sine nube placet. [Inscrição em relógio de sol] (A vida) sem nuvens é agradável.

1815. Sine nunc meo me vivere modo. [Terêncio, Andria 153] Agora deixa-me viver a meu modo.

1816. Sine odio et sine invidia. [Cícero, Pro Marcello 29] Sem ódio e sem despeito.

1817. Sine offensa. Sem ofensa.

1818. Sine omni periclo. Sem qualquer risco.

1819. Sine ope divina nihil valemus. [Erasmo, Adagia 3.9.54] Sem o auxílio divino nada podemos. Sem Deus, nem até a porta, e com Deus, através dos mares. Com Deus, tudo podemos, sem Deus, nada valemos.

1820. Sine opera tua, nihil di facere possunt. [Plauto, Cistellaria 48] Sem teu trabalho, os deuses nada podem fazer. Põe tu a mão, e Deus te ajudará. A Deus rogando, e com o maço dando. VIDE: Ad opus manum admovendo fortunam invoca. Adesse gaudet, sed laboranti, Deus. Cum Minerva et manum move. Cum Minerva manus etiam move. Cum Minerva manum quoque move. Di facientes adiuvant. Deus facientes adiuvat. Deus laborantibus opem fert prospere. Deus laborantes ope adiuvat sua. Fac aliquid ipse, deinde Numen invoca. Fac interim aliquid ipse, dein deos voca. Huic qui laborat, Numen adesse assolet. Manum admoventem Deum quemvis invocare debere. Manum admoventi fortuna est imploranda. Manum admoventi fortuna est invocanda. Manum admoventi sunt vocanda numina. Minerva auxiliante, manum etiam admove. Nulla preces numina flectunt ignavorum. Nunc ipse quid peragito, dein deos voca. Nunc ipse quid peragito, dein Deum voca. Quisquis laborat, huic manum praebet Deus.

1821. Sine opinione praeconcepta. Sem opinião prévia. Sem julgamento prévio. VIDE: Sine praeiudicio.

1822. Sine ordine. Sem ordem. Desordenadamente. VIDE: Audacter. Confuse. Immodice. Infrenis. Licenter. Passim. Promiscue. Sine lege. Sine more. Solute.

1823. Sine pace relabitur orbis in chaos antiquum. Sem paz o mundo retornará ao caos antigo.

1824. Sine pavore sine favore. [Divisa] Sem medo nem favor.

1825. Sine pedibus dicunt esse fortunam, quae manus et pennas tantum habet. [Quinto Cúrcio, Historia 7.8.25] Dizem que a sorte não tem pés; ela tem apenas mãos e asas.

1826. Sine pennis volare haud facile est. Voar sem asas não é fácil. Ele bem quer voar, mas não tem asas. Sine pennis volare haud facile est: meae alae pennas non habent. [Plauto, Poenulus 869] Voar sem penas não é fácil: minhas asas não têm penas.

1827. Sine periculo friget lusus. [Stevenson 482] Sem risco, o jogo esfria.

1828. Sine possessione usucapio procedere non potest. [Jur / Black 1632] Sem a posse, a usucapião não pode realizar-se.

1829. Sine praeiudicio. Sem julgamento prévio. Sem opinião prévia. VIDE: Sine opinione praeconcepta.

1830. Sine prole. [Jur / Black 1632] Sem descendência.

1831. Sine qua non. [Jur] Sem a qual, não. (=É redução da expressão Condicio sine qua non potest fieri, Condição sem a qual não se pode cumprir o contratado. Usa-se também a forma Sine qua). VIDE: Condicio sine qua non.

1832. Sine remorsu conscientiae ac praeiudicio. Sem remorso nem prejulgamento. VIDE: Absque ullo remorsu conscientiae.

1833. Sine rivali teque et tua solus amares. [Horácio, Ars Poetica 444] Amas a ti mesmo e as tuas coisas sem qualquer rival. Sine rivali teipsum amas. Tu te amas sem rival.

1834. Sine sacris adeptus est hereditatem. [Medina 586] Recebeu a herança sem (ter despesa com) cerimônia religiosa. Carne sem osso, proveito sem trabalho. Sine sacris hereditas. [Erasmo, Adagia 1.3.59] Herança recebida sem sacrifício. Sine sacris hereditatem sum aptus effertissimam. [Plauto, Captivi 775] Recebi uma herança riquíssima sem qualquer sacrifício.

1835. Sine sanguinis effusione non fit remissio. [Vulgata, Hebreus 9.22] Sem derramamento de sangue não há perdão. VIDE: Sanguinis effusione.

1836. Sine sanitate, nullae felicitates. [Pensées d'Oxenstirn 1.255] Sem saúde, não há felicidade.

1837. Sine sole nihil. [Inscrição em quadrante solar] Sem sol, nada.

1838. Sine sole sileo. [Inscrição em quadrante solar] Sem o sol, eu calo-me. VIDE: Sine lumine pereo.

1839. Sine sudore et sanguine. [Cícero, De Officiis 1.61] Sem suor nem sangue.

1840. Sine summa iustitia rem publicam regi non posse. [Cícero, De Republica 2.44] Sem a justiça rigorosa, o país não pode ser governado.

1841. Sine te non licet esse mihi. [Ovídio, Heroides] Sem ti não posso existir.

1842. Sine te nostrum non valet ingenium. [Propércio, Elegiae 2.30.40] Sem ti meu talento não tem força.

1843. Sine teste nullum esse putaveris locum. [Publílio Siro] Não creias que haja algum lugar em que não haja testemunha. Matos têm olhos, paredes têm ouvidos. VIDE: Nullum locum putes sine teste. Nullum putaveris locum sine teste. Nullum putes teste destitutum locum. Nullum sine teste putaveris suo locum.

1844. Sine ulla condicione. [S.Agostinho, De Civitate Dei 21.18] Sem qualquer condição. VIDE: Absque ulla condicione.

1845. Sine ulla dubitatione. Sem qualquer dúvida. Sine ulla dubietate.

1846. Sine ulla limitatione. Sem qualquer limitação.

1847. Sine ullis ambagibus. Sem quaisquer rodeios.

1848. Sine ullis feriis. Sem descanso. Incessantemente. VIDE: Sine feriis.

1849. Sine ut mortui sepeliant mortuos suos. [Vulgata, Lucas 9.60] Deixa que os mortos enterrem os seus mortos. VIDE: Dimitte mortuos sepelire mortuos suos.

1850. Sine verecundia nihil potest esse rectum, nihil honestum. [Cícero, De Officiis 1.41.148] Sem o pudor, não pode haver nada honesto, nada digno.

1851. Sine virtute amicitia esse non potest. [Cícero, De Amicitia 20, adaptado] Sem virtude não pode haver amizade.

1852. Sine virtute argutum civem mihi habeam pro praefica, quae alios collaudat, eapse se vero non potest. [Plauto, Truculentus 494] Considero o cidadão astuto, mas sem coragem, como uma carpideira, que celebra os louvores dos outros, mas não pode dizer nada de si mesma.

1853. Singillatim mortales, cunctim perpetui. [Apuleio, De Deo Socratis 4] Como indivíduos, mortais; como espécie, eternos.

1854. Singula captentur; sic omnia fine tenentur. [Trench, Proverbs and Their Lessons] Apanhem-se um a um; assim no fim todos terão sido apanhados.

1855. Singula de nobis anni praedantur euntes. [Horácio, Epistulae 2.2.55] Os anos que passam nos arrebatam nossos bens um a um.

1856. Singula post ova, pocula sume nova. [Regimen Sanitatis Salernitanum, De Prandendo et Bibendo 4] Depois de cada ovo, bebe mais um copo (de vinho).

1857. Singula quae non prosunt, multa collecta iuvant. [Pereira 97] Coisas que isoladas não aproveitam, muitas reunidas são úteis. Um grão não enche celeiro, mas ajuda companheiro. Bago a bago enche a galinha o papo. VIDE: Iuncta iuvant. Multa iuvant collecta simul. Quae non prosunt singula, multa iuvant. Quae non valeant singula, iuncta iuvant.

1858. Singula regio habet suos cantus. [Albertatius 1293] Cada terra tem suas canções. Cada terra com seus costumes.

1859. Singuli decipere aut decipi possunt; nemo omnes, neminem omnes fefellerunt. [Plínio Moço, Panegyricus 62] Os indivíduos podem enganar ou serem enganados; ninguém enganou a todos, ninguém foi enganado por todos.

1860. Singulis annis. Anualmente.

1861. Singulis diebus. Diariamente.

1862. Singulis hebdomadis. Semanalmente.

1863. Singulis mensibus. Mensalmente.

1864. Singulos dies singulas vitas puta. [Sêneca, Epistulae Morales 101.10] Considera cada dia como uma vida.

1865. Sinistra manu cibum ne capito. Não pegues comida com a mão esquerda. (=Vive daquilo que te é de direito). Não metas a foice em seara alheia.

1866. Sinite parvulos venire ad me. [Vulgata, Marcos 10.14] Deixai virem a mim os pequeninos. Sinite parvulos, et nolite eos prohibere ad me venire. [Vulgata, Mateus 19.14] Deixai os meninos, e não embaraceis que eles venham a mim.

1867. Sinistro pede. [Apuleio, Metamorphoses 1.5] Com o pé esquerdo. (=Com azar. Desafortunadamente). VIDE: Pede sinistro.

1868. Sint Maecenates, non deerunt, Flacce, Marones. [Marcial, Epigrammata 8.56.5] Ó Horácio Flaco, haja Mecenas, que não faltarão Virgílios Maros.

1869. Sint temporalia in usu, aeterna in desiderio. [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 3.16] Sejam usadas as coisas temporais; sejam as eternas desejadas.

1870. Sint tibi serenae. [Inscrição em quadrante solar] Que as horas te sejam serenas.

1871. Sint ut sunt, aut non sint. [Rezende 6334] Continuem como são, ou deixem de existir.

1872. Siquid mirabere, pones invitus. [Horácio, Epistulae 1.10.31] Se alguém está encantado com alguma coisa, não quererá renunciar a ela.

1873. Siquidem vita brevis, sensus hebes, neglegentiae torpor, inutilis occupatio, nos paucula scire permittunt, et eadem iugiter excutit et avellit ab animo fraudatrix scientiae, inimica et infida semper memoriae noverca, oblivio. [John of Salisbury] Assim a brevidade da vida, os sentidos embotados, o torpor de nossa negligência, as ocupações inúteis, nos permitem saber muito pouco, e até esse pouco nos sacode e arranca do espírito o esquecimento, esse fraudador do saber, essa inimiga e infiel madrasta da memória.

1874. Sirenibus ad persuadendum aptior. [Grynaeus 233] Tem mais capacidade de persuadir que as sereias.

1875. Sis bonus idque bonis, laesus nec laede nocentem. [Columbano] Sê bom para os bons, mas, se fores maltratado, não maltrates o culpado.

1876. Siste furibundum impetum. [Sêneca, Hippolytus 263] Modera esse impulso furioso.

1877. Siste: quo praeceps ruis? [Sêneca, Thyestes 67] Pára! Aonde te precipitas?

1878. Siste, viator, et bene precare exstincto, heu! ibique sepulto clarissimo viro. [Inscrição em túmulo] Pára, ó passante, e ora pelo defunto, homem eminente, aqui sepultado.

1879. Siste, viator, heroëm calcas. [Inscrição em túmulo] Pára, ó viajante, pisas (o túmulo de) um herói. VIDE: Sta, viator, heroëm calcas.

1880. Sisyphium portas saxum. [Polydorus, Adagia] Rolas a pedra de Sísifo. Fazes trabalho de Sísifo. (=Trabalho de Sísifo, ou tarefa de Sísifo, é um trabalho penoso, incessante, que recomeça sempre. Sísifo, personagem da mitologia grega, por sua crueldade, após sua morte, teria sido condenado a rolar uma enorme pedra até o alto da montanha. Atingindo o cimo, a pedra descia para a base da montanha, tendo Sísifo de recomeçar a tarefa de rolá-la ao alto). Sisyphi saxum volvere. [Binder, Medulla 1661]

1881. Sit ambulatoria voluntas usque ad vitae supremum exitum. [Digesta 24.1.32.3, adaptado] A vontade é mutável até o último momento da vida. VIDE: Ambulatoria est voluntas defuncti usque ad vitae supremum exitum. Voluntas hominis ambulatoria est usque ad vitae supremum exitum.

1882. Sit anathema. [Vulgata, 1Coríntios 16.22] Seja anátema. Seja excomungado. VIDE: Anathema sit! Anathema sint!

1883. Sit autem omnis homo velox ad audiendum, tardus autem ad loquendum, et tardus ad iram. [Vulgata, Tiago 1.19] Assim cada um de vós seja pronto para ouvir, porém tardo para falar e tardo para se irar. VIDE: Sit omnis homo velox ad audiendum, tardus ad dicendum.

1884. Sit autem sermo vester: est, est, non, non. [Vulgata, Mateus 5.37] Seja assim o vosso falar: sim, sim, não, não. VIDE: Est, est; non, non.

1885. Sit brevis aut nullus tibi somnus meridianus. [Regimen Sanitatis Salernitanum, De Somno Meridiano] Seja breve ou nenhum o sono do meio-dia.

1886. Sit bufo carus, fiet luna mage clarus. [Walther 25528] Quando se ama um sapo, ele se torna mais brilhante que a lua. Quem ama o feio, bonito lhe parece. VIDE: Foeda licet cunctis ea, pulchra videntur amanti. Quae minime sunt pulchra, ea pulchra videntur amanti. Unicuique delectabile est quod amat.

1887. Sit caeca futuri mens hominum fati. [Lucano, Bellum Civile 2.14] A mente dos homens é cega quanto ao futuro.

1888. Sit conscientia mille testium. [DAPR 177] A consciência vale por mil testemunhas. VIDE: Conscientia mille testes.

1889. Sit Deus in itinere vestro. [Vulgata, Tobias 5.21] Que Deus esteja no vosso caminho.

1890. Sit erranti medicina confessio. [Cícero, Philipicae 12.3.7] A confissão é o remédio para quem errou.

1891. Sit humus cineri non onerosa tuo. [Ovídio, Amores 3.8.68] Que a terra não seja pesada às tuas cinzas. Que a terra te seja leve! VIDE: Levis sit tibi terra! Sit tibi terra levis!

1892. Sit medicus senex, tonsor iuvenis. [DAPR 439] O médico deve ser velho, o barbeiro, jovem. Guarde-vos Deus de médico moço e barbeiro velho.

1893. Sit mihi verna satur; sit non doctissima coniux; sit nox cum somno; sit sine lite dies. [Marcial, Epigrammata 2.90.9] Tenha eu escravo bem nutrido, mulher não muito sábia, noite bem dormida e dia sem disputas.

1894. Sit nomen Domini benedictum. [Vulgata, Jó 1.21] Bendito seja o nome do Senhor.

1895. Sit non doctissima coniunx. [Marcial, Epigrammata 2.90.10] Não seja tua esposa extremamente culta.

1896. Sit omne iudicium non quam locuples, sed qualis quisque sit. [Cícero, De Officiis 2.71] Todo julgamento considere, não quão rico alguém é, mas quais são suas qualidades.

1897. Sit omnis homo velox ad audiendum, tardus ad dicendum. [Rezende 6372] Seja todo homem veloz no ouvir, lento no falar. VIDE: Sit autem omnis homo velox ad audiendum, tardus autem ad loquendum, et tardus ad iram.

1898. Sit pax et veritas in diebus meis. [Vulgata, 4Reis 20.19] Haja paz e verdade em meus dias.

1899. Sit pax in muris tuis, abundantia in domibus tuis. Haja paz dentro dos teus muros, e abundância em tuas casas. Sit pax in moenibus tuis, securitas in palatiis tuis. Haja paz dentro dos teus muros, e segurança nos teus palácios. VIDE: Fiat pax in virtute tua, et abundantia in turribus tuis.

1900. Sit piger ad poenam princeps, ad praemia velox. [Ovídio, Ex Ponto 1.2.121] O príncipe deve ser preguiçoso para a punição e veloz para o prêmio.

1901. Sit pro ratione voluntas. Que minha vontade tome o lugar da razão. Quero porque quero! VIDE: Stat pro ratione voluntas. Stat pro ratione voluntas populi.

1902. Sit procul a nobis mulier cui barbula pendet. [Medina 600] Fique longe de mim a mulher barbuda. Mulher barbuda, de longe a saúda.

1903. Sit procul omne nefas! [Ovídio, Ars Amatoria 2.107] Para trás todo malefício!

1904. Sit procul omne scelus; ut ameris amabilis esto! [Tosi 1423] Que toda maldade fique longe; para seres amado, sê amável! VIDE: Amor amore compensatur. Amor amorem gignit. Amor gignit amorem. Habes amicos, quia amicus ipse es. Si vis amari, ama. Ut ameris, ama. Ut redameris, ama.

1905. Sit quisque similes inter suos. Cada um deve ficar entre os seus semelhantes. Cada qual com seu igual. Sit quisque similes inter suos, ne Hercules enim contra duos. [George Gascoigne / Stevenson 2403] Fique cada qual entre seus iguais, pois contra dois nem Hércules.

1906. Sit salvus sator; salva sint sata. [Oração para proteger as colheitas / Cornelius Fronto, Epistulae / Rezende 6374] Bendito seja o semeador; benditas sejam as colheitas.

1907. Sit satis laborum, sit satis periculorum. [Apuleio, Metamorphoses 11.2] Basta de sofrimentos, basta de perigos.

1908. Sit servus mentis venter, sit serva libido. [Columbano] Sejam o ventre e o prazer servos da mente.

1909. Sit tibi credibilis sermo consuetaque verba. [Ovídio, Ars Amatoria 1.465] Que o teu discurso seja natural e que tuas palavras sejam usuais.

1910. Sit tibi praecipue, quod primum est: cura salutis. [Dionísio Catão, Disticha 2.30] Seja especial para ti o que é mais importante: o cuidado com a saúde.

1911. Sit tibi terra levis! [Inscrição tumular] Que a terra te seja leve! VIDE: Levis sit tibi terra! Sit humus cineri non onerosa tuo.

1912. Sit tibi terra levis mollique tegaris arena, ne tua non possint eruere ossa canes! [Marcial, Epigrammata 9.29.11] Que a terra te seja leve, e mole a camada de areia que te cubra, para que os cães possam desenterrar teus ossos!

1913. Sit ultima felix. [Inscrição em relógio] Que a (tua hora) derradeira seja feliz.

1914. Sit venia verbo. Desculpe-se a expressão. Com perdão da palavra. Sit venia verbis. Sit venia dicto. VIDE: Absit iniuria verbo. Absit iniuria dicto. Absit iniuria verbis. Absit invidia verbo.

1915. Sit verbum vox viva licet, vox mortua scriptum, scripta diu vivunt, non ita verba diu. [John Owen, Epigrammata 3.208] Embora a palavra seja voz viva, e o escrito, voz morta, o que é escrito vive muito, e as palavras, nem tanto. Palavras, levam-nas os ventos. A escritura é a vida das palavras. O preto no branco fala como gente. VIDE: Littera scripta manet, verbum at inane perit. Litterae scriptae manent. Quod non legitur, non creditur. Verba volant, scripta manent. Verba sicut ventus volant, scripta sicut monumenta manent. Vox audita perit, littera scripta manet. Vox emissa volat, littera scripta manet.

1916. Sit vultus testis quod intrinsecus estis. Seja vosso rosto testemunha do que sois internamente.

1917. Sitis auri. A sede de ouro.

1918. Sitis filii Patris vestri qui in caelis est, qui solem suum oriri facit super bonos et malos, et pluit super iustos et iniustos. [Vulgata, Mateus 5.45] Sois filhos de vosso Pai, que está nos céus, o qual faz nascer o seu sol sobre bons e maus, e vir chuva sobre justos e injustos. VIDE: Deus pluit super bonos et malos, et solem suum orire facit super iustos et iniustos. Solem suum (Deus) oriri facit super bonos et malos. Sol omnibus lucet.

1919. Sitis licita, etiam potio licita. Se a sede é lícita, a bebida também é lícita.

1920. Sitis sanguinis. A sede de sangue.

1921. Sitne aliquando mentiri boni viri? [Cícero, De Oratore 3.114] O homem honesto às vezes não precisa mentir?

1922. Situm bene malum iterum cave resuscites. [Schottus, Adagia 611] Evita desenterrar novamente o mal bem enterrado. Não despertes o cão que dorme. Não procures sarna para te coçar. VIDE: Malum bene conditum ne moveris. Malum bene situm ne moveto. Ne moveas malum bene situm.

1923. Sive dolo, seu vi, vel aperte confice vel clam. [Homero / Schottus, Adagia 27] Trata de realizar, seja usando artifícios ou a força, seja abertamente ou furtivamente.

1924. Sive in partem sive in solidum. [Instituta 4.1.16] Seja em parte, seja por inteiro.

1925. Sive ista ratio, sive fortuna occulit, latere semper patere, quod latuit diu. [Sêneca, Oedipus 825] Tenha sido a razão ou a sorte que ocultou essas coisas, permite ficar escondido para sempre o que ficou ignorado por tanto tempo.

1926. Sive publice, sive privatim. Seja publicamente, seja em particular. Sive publice, sive privatim. Seja publicamente, seja em segredo.

1927. Sive velis, sive nolis. [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 2.7.1] Quer queiras, quer não. VIDE: Volens nolens.

1928. Sive vigilem, sive dormiam, duo et tria simul iuncta sunt quinque, quadratumque non plura habet latera quam quattuor. [Descartes, Meditationes 1.8] Esteja eu acordado ou dormindo, dois mais três juntos fazem cinco, e o quadrado não tem mais que quatro lados.

1929. Sive vocaliter, sive mentaliter. Seja por palavras, seja pelo pensamento.

1930. Sobrii estote, et vigilate. [Vulgata, 1Pedro 5.8] Sede sóbrios e vigiai.

1931. Sobrius sis, ac memineris nemini confidere. [Grynaeus 179] Fica sóbrio e lembra-te de não confiar em ninguém.

1932. Societas delinquere non potest. [Jur] Um ente jurídico não pode cometer crime.

1933. Societas est necessaria. A associação é uma necessidade.

1934. Societas florebit. [Divisa] A união florescerá.

1935. Societas nulla consistere potest sine vi aliqua et potestate gubernante et providente. [Vitoria] Nenhuma sociedade pode persistir sem alguma força e poder que a governem e provejam.

1936. Societas solvitur morte, heresque socii in societate non succedit. [Goethe, Positiones Iuris 18] A sociedade se dissolve com a morte, e o herdeiro do sócio não sucede na sociedade.

1937. Societatis vinculum est ratio et oratio. [Stevenson 1940] O vínculo da sociedade é a razão e a palavra.

1938. Socii mei socius meus socius non est. [Digesta 50.17.47.1] O sócio de meu sócio não é meu sócio.

1939. Socii passionum estis, sic eritis et consolationis. [Vulgata, 2Coríntios 1.7] Sois companheiros nas aflições, assim o sereis também na consolação.

1940. Sociorum olla male fervet, et ubi semel res inclinata est, amici de medio. [Petrônio, Satiricon 38] A panela dos camaradas pára de ferver, e, uma vez que a coisa vai mal, adeus amigos. Amigo de mesa não é de firmeza. VIDE: Olla male fervet.

1941. Socius criminis. Um cúmplice.

1942. Socius fidelis ancora tuta est. [Schrevelius 1176] O companheiro fiel é como uma âncora segura.

1943. Socius fit culpae, qui nocentem sublevat. [Publílio Siro] Torna-se cúmplice quem apóia o culpado.

1944. Socius socium non obligat. [Jur] O sócio não obriga o sócio.

1945. Socrates autem primus philosophiam revocavit e caelo et in urbibus collocavit et in domos etiam introducit et cöegit de vita et moribus rebusque bonis et malis quaerere. [Cícero, Tusculanae Disputationes 5.10] Sócrates foi o primeiro que tirou a filosofia do céu e a colocou nas cidades e nas casas, e obrigou a indagar sobre a vida, os costumes e as coisas boas e más.

1946. Socrates, cum rogaretur cuiatem se esse diceret, ‘mundanum’, inquit. [Cícero, Tusculanae Disputationes 5.37] Sócrates, quando solicitado a dizer a sua naturalidade, respondeu ‘cidadão do mundo’.

1947. Socrates parens philosophiae iure dici potest. [Cícero, De Finibus 2.1] Sócrates, com justiça, pode ser considerado o pai da filosofia. VIDE: Parens philosophiae.

1948. Socrates totius mundi se incolam et civem arbitrabatur. [Cícero, Tusculanae Disputationes 5.37] Sócrates se considerava habitante e cidadão do mundo inteiro.

1949. Socrum nurus odit; nurum aversatur socrus. [Schrevelius 1176] A nora odeia a sogra; a sogra desdenha a nora.

1950. Sol attigit talos. [Palíndromo] O sol chegou até os pés.

1951. Sol crescentes decedans duplicat umbras. [Virgílio, Eclogae 2.66] O sol poente duplica as sombras, que ficam mais compridas.

1952. Sol efficit, ut omnia floreant. [Cícero, De Natura Deorum 2.41, adaptado] O sol faz que tudo floresça.

1953. Sol et in cloacam radios suos defert, nec inquinatur. [Diógenes Laércio / Tertuliano, De Spectaculis 20] O sol espalha seus raios até na cloaca, e no entanto não se suja. VIDE: Radius solis, et si cum stercore conversatur, purus manet, et non coinquinatur. Transiens omnia immunda remanet sol purus et non coinquinatur.

1954. Sol etiam caecat, contra si tendere pergas. [Lucrécio, De Rerum Natura 4.328] O sol te cegará, se insistires em encará-lo.

1955. Sol generat umbras. [Inscrição em quadrante solar] É o sol que gera as sombras.

1956. Sol in zodiaco currens nunquam requiescit; sic animus requie semper avarus eget. [Tosi 1813] O sol, correndo no zodíaco, nunca descansa; assim também o coração do ambicioso nunca tem descanso.

1957. Sol lucet omnibus. O sol brilha para todos. O sol nasce para todos. O sol aquece igualmente o rico e o indigente. VIDE: Cum sol oritur, cunctis oritur. Cum sol oritur, omnibus oritur. Et sceleratis sol oritur. Sol omnibus lucet.

1958. Sol multis partibus maior est quam terra universa. [Cícero, De Natura Deorum 2.92, adaptado] O sol é muitas vezes maior do que toda a terra.

1959. Sol non occidat super iracundiam vestram. [Vulgata, Efésios 4.26] Não se ponha o sol sobre a vossa ira.

1960. Sol occubuit; nox nulla secuta est. [Giraldus de Barri, em 1189, por ocasião da morte de Henrique III e ascensão de Ricardo I, Coração de Leão, ao trono inglês / Stevenson 1302] O sol se pôs; não se seguiu nenhuma noite. Rei morto, rei posto. O rei morreu, viva o rei.

1961. Sol oculus mundi. O sol é o olho do mundo.

1962. Sol omnia aperit. [Grynaeus 536] O sol tudo descobre.

1963. Sol omnia videt, et revelat. O sol tudo vê, e revela.

1964. Sol omnibus lucet. [Petrônio, Satiricon 100.1] O sol brilha para todos. O sol nasce para todos. O sol aquece igualmente o rico e o indigente. VIDE: Cum sol oritur, cunctis oritur. Cum sol oritur, omnibus oritur. Et sceleratis sol oritur. Sol lucet omnibus. Solem suum (Deus) oriri facit super bonos et malos.

1965. Sol omnium dierum nondum occidit. [Tito Lívio, Ab Urbe Condita 39.26.9] O sol de todos os dias ainda não se pôs. Ainda não se acabou o dia de hoje. Ainda Deus está onde estava. Falta-nos ainda muito por ver e saber. O fim do mundo