DICIONÁRIO DE EXPRESSÕES E FRASES LATINAS

Compilado por HENERIK KOCHER

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P8: 1401-1600

1401. Possideo, quia possideo. [Jur] Possuo, porque tenho a posse. VIDE: Qui interrogatus cur possideat, responsurus sit "quia possideo".

1402. Possum falli ut homo. [Cícero, Ad Atticum 13.21.2] Como ser humano, posso enganar-me. VIDE: Ut humanus possum falli.

1403. Possum nihil ego sobrius. [Marcial, Epigrammata 11.6.12] Quanto a mim, quando estou sóbrio, não consigo fazer nada.

1404. Possumus effugere senum pedes, sed consilio carere non possumus. [Bebel, Adagia Germanica] Podemos escapar dos pés dos velhos, mas não podemos ficar sem sua sabedoria. VIDE: Prudens consilio vetus est vir, tardus eundo.

1405. Possunt quia posse videntur. [Virgílio, Eneida 5.231] Podem porque acreditam que podem. Querer é poder. VIDE: Hos successus alit: possunt, quia posse videntur.

1406. Post acclamationem bellicam iacula volant. [Stevenson 2450] Depois do grito de guerra, voam os dardos.

1407. Post acerba, prudenter. [Grynaeus 636] Depois das dificuldades, com prudência. Gato escaldado de água fria há medo. Post acerba prudentior. [Erasmo, Adagia 4.3.59] Depois das dificuldades, com mais prudência. VIDE: Post mala prudentior. Post mala cautior.

1408. Post acta festa venimus lente nimis. [Schottus, Adagia 613] Chegamos muito devagar, depois de acabada a festa. Chegamos ao atar das feridas. VIDE: Post festum venisti. Post festum venimus. Pugna peracta venisti.

1409. Post amara dulcia. [Divisa] Depois do amargo, o doce. Depois do purgatório, a redenção. Depois da tempestade, vem a bonança.

1410. Post amicitiam credendum est, ante amicitiam iudicandum. [Sêneca, Epistulae Morales 3.2] Depois de feita a amizade, deve-se confiar; antes da amizade, deve-se julgar.

1411. Post annos centum fugient discrimina vitae. [John Collin, Spanish Proverbs 5] Depois de cem anos, desaparecerão as diferenças da vida. Ao cabo de cem anos todos seremos calvos.

1412. Post bellum, auxilium. [Suidas / Erasmo, Adagia 3.6.17] Terminada a guerra, o reforço. Casa arrombada, trancas à porta. Depois da vindima, cavanejos. Tarde piaste. Post bellum, machinas. [Diogeniano / Manúcio, Adagia 1412] Terminada a guerra, trazes a artilharia. Post bellum suppetiae venerunt. [Albertatius 1089] Depois da guerra chegou o socorro. VIDE: Aedibus in cinerem redactis sero infunditur aqua. Finito bello auxilium. Machinas post bellum afferre.

1413. Post brevem moram. Após uma pequena espera.

1414. Post breve tempus. Depois de algum tempo.

1415. Post calamitatem, memoria alia est calamitas. [Publílio Siro] Depois de uma infelicidade, a recordação é outra infelicidade.

1416. Post cenam dormi, si vis aegrotare libenter. [Medina 610] Se queres enfermar, ceia e vai-te deitar. Post cenam dormis? Vis aegrotare libenter. [Pereira 122] Dormes logo depois do jantar? Queres mesmo adoecer.

1417. Post cenam stabis, aut lento pede ambulabis. [Rezende 5087] Depois do jantar ficarás quieto, ou andarás devagar. Post cenam stabis, vel passus mille meabis. [Regimen Sanitatis Salernitanum / Rezende 5087] Depois do jantar, ficarás quieto ou caminharás mil passos. Post cenam non stare, sed mille passus meare. Depois da refeição não ficar parado, mas dar mil passos.

1418. Post Christum natum. Depois do nascimento de Cristo. Post Christum. Depois de Cristo.

1419. Post cibum. Depois da refeição.

1420. Post cineres. Depois das cinzas. (=Depois da morte).

1421. Post cineres est verus honor, est gloria vera. [L. De-Mauri, Flores Sententiarum 223] Depois da morte, a homenagem é sincera, a glória é verdadeira.

1422. Post cineres gloria sera venit. [Rezende 5085] É tardia a glória que vem depois da morte. VIDE: Cineri gloria sera venit. Gloria sera venit.

1423. Post clamores veniemus ad verbera. Do bate-boca passaremos às pancadas.

1424. Post coitum omne animal triste. [Tosi 1428] Todo animal fica triste depois do coito. Post coitum omne animal triste, nisi gallus qui cantat. Todo animal fica triste depois do coito, menos o galo, que canta. VIDE: Laeta venire Venus, tristis abire solet. Triste est omne animal post coitum, praeter mulierem gallumque.

1425. Post dationem celerrime senescit beneficium. [Menandro / Bebel, Adagia Germanica] Depois que se faz, o favor envelhece depressa. Favor recebido, favor esquecido.

1426. Post diem. Depois do dia.

1427. Post equitem sedet atra cura. [Horácio, Carmina 3.1.40] A negra preocupação vem montada na garupa do cavaleiro.

1428. Post factum. Depois do fato.

1429. Post factum, lauda. [Rezende 5091] Louva depois de consumado o fato. Não louves até que proves. No fim é que se cantam as glórias. VIDE: A casu describe diem, non solis ab ortu. A solis occasu, non ortu, describe diem. Diem vesper commendat. Lauda finem. Laus in fine cantatur et vespere laudatur dies. Omnis laus in fine canitur. Tunc beatam dico vitam, cum peracta fata sunt. Vespere laudatur dies.

1430. Post factum, nullum consilium. [Rabelais / Rezende 5092] Depois do fato, é inútil o conselho. Depois de fugir o coelho, todos dão conselho. Conselho só serve cedo. Depois do fato, todo mundo é sábio. VIDE: Res peracta nihil opus est consultatione. Serum est post facta consilium.

1431. Post fata resurgo. [Anastasio Chinchilla, Anales Históricos de la Medicina 371] Depois da morte eu ressurjo. (=Frase mandada gravar pelo Marquês de Pombal no obelisco construído na Praça do Rocio depois do terremoto de Lisboa. Refere-se à lenda de Fênix, ave que ressurgiria de suas cinzas). Post fata resurgam. Depois da morte, ressurgirei.

1432. Post festum fatuus superest. [DAPR 584] Depois da festa o tolo sobra. Rogar ao santo até passar o barranco.

1433. Post festum venire miserum est. [Erasmo, Colloquia 15], É triste chegar depois de acabada a festa.

1434. Post festum venisti. [Diogeniano / Erasmo, Adagia 1.9.52] Chegaste depois da festa. Agora é tarde, Inês é morta. Post festum venimus. [Schottus, Adagia 348] Chegamos depois da festa. VIDE: Post acta festa venimus lente nimis. Pugna peracta venisti.

1435. Post fluctus denuo conspiscor tranquillitatem. [Schottus, Adagia 416] Depois da tempestade percebo novamente a tranqüilidade. Depois da tempestade, a bonança. Depois do purgatório, a redenção. VIDE: Post tempestatem tranquillum. Post tempestatem tranquillum facis.

1436. Post florem fructus, sequitur post gaudia luctus. [Gaal 499] Depois da flor, vem o fruto; depois das alegrias, a tristeza. Depois da doçura vem a amargura. Quem ri hoje chora amanhã. VIDE: Gaudia venturi sunt nuntia saepe doloris, et risus lacrimas non procul esse docet. Post gaudia luctus.

1437. Post folia cadent in te arbores. [Albertatius 1090] Primeiro cairão em cima de ti folhas, depois cairão árvores. Quem a ruim perdoa, a ruindade lhe aumenta. Post folia cadunt arbores. [Erasmo, Adagia 2.8.68] VIDE: Arbores cadunt post folia. Folia nunc cadunt; tum arbores in te cadent. Iniuriarum patientia maiorum iniuriarum genetrix. Leviores iniurias si quis ferat, sequuntur atrociores. Nunc in te cadunt folia, post cadent arbores. Saepe ignoscendo, des iniuriae locum. Semper ignoscendo, des iniuriae locum. Semper quiescens des locum iniuriae. Veterem ferendo iniuriam, invitas novam.

1438. Post funera virtus. [Rezende 5094] Depois dos funerais, reconhecem-se as virtudes. Depois do enterro começam os elogios. VIDE: Post hominum cineres oritur clarissima fama. Vivit post funera virtus.

1439. Post furtum stabulum sero reparatur. Depois do furto, é tarde para consertar o estábulo. Casa roubada, trancas à porta. VIDE: Extractis bobus stabulum sero reparatur. Sera in fundo parsimonia.

1440. Post gaudia luctus. [Binder, Thesaurus 2618] Depois da alegria, a tristeza. Depois da doçura vem a amargura. Quem ri hoje chora amanhã. Depois da calma, a tempestade. A bom bocado, bom grito. VIDE: Gaudia post luctus veniunt, post gaudia luctus. Semper in ambiguo, speve metuve, sumus. Laetitiae proximus fletus. Post florem fructus, post gaudia sequitur luctus. Sperne voluptates, quia mox post gaudia flebis.

1441. Post gloriam invidia sequitur. [Salústio, Bellum Iugurthinum 55.2] A inveja acompanha a glória. A inveja sempre atina lugares altos. Não há glória sem inveja. VIDE: Est hoc commune vitium magnis liberisque civitatibus, ut invidia gloriae comes sit. Gloriae et virtutis invidia est comes. Invidia gloriae comes. Invidia virtutum comes.

1442. Post hanc diem. Depois deste dia. De hoje em diante. Doravante.

1443. Post hiemem denuo recurrit ver; at post senectam nulla recurrit iuventa. [Rezende 5096] Depois do inverno volta novamente a primavera, mas depois da velhice a juventude não volta.

1444. Post hoc, ergo propter hoc. [Da linguagem da filosofia] Depois disso, logo por causa disso. Post hoc, propter hoc. VIDE: Cum hoc vel post hoc, ergo propter hoc.

1445. Post hominum cineres oritur clarissima fama. [Erasmo / Tosi 593] Depois da morte dos homens nasce uma fama imensa. Depois do enterro começam os elogios. VIDE: Maius ab exsequiis nomen in ora venit. Post funera virtus.Vivit post funera virtus.

1446. Post homines natos. [Cícero, Philippica 11.1] Depois do nascimento dos homens. Desde que os homens existem. Desde que o mundo é mundo.

1447. Post hominum memoriam. [Cícero, Ad Familiares 16; Rezende 5098] A partir da lembrança dos homens. Desde que o mundo é mundo.

1448. Post iacturam quis non sapit? [Mantuano, Eclogae 2] Depois do dano, quem não aprende? Depois do fato, todo mundo é sábio.

1449. Post industriam sequetur sapientia [Vulgata, Eclesiastes 10.10] Depois do esforço virá a sabedoria.

1450. Post iram graviorem alimenta non assumantur, ne graviora sequantur mala. [Nenter 97] Depois de aborrecimento violento, não se tomem alimentos, para que não ocorram males mais graves.

1451. Post iucundam iuventutem, post molestam senectutem, nos habebit humus. [Da canção estudantil medieval Gaudeamus] Depois da alegre juventude, depois da incômoda velhice, ter-nos-á a terra. VIDE: Gaudeamus igitur iuvenes dum sumus; post iucundam iuventutem, post molestam senectutem nos habebit humus.

1452. Post laborem, requiem. [Inscrição em quadrante solar] Depois da fadiga, o repouso.

1453. Post laudem quiesce. [Pereira 99] Depois da glória, descansa. Cobra boa fama e deita-te a dormir.

1454. Post ludos ad seria. [Grynaeus 537] Depois das brincadeiras, passemos às coisas sérias.

1455. Post mala prudentior. [Erasmo, Adagia 1.3.99] Depois das dificuldades, com mais prudência. Gato escaldado de água fria há medo. Aprender à sua custa. Post mala cautior. [Apostólio 15.64] VIDE: Post acerba prudentior. Post acerba, prudenter.

1456. Post maxima nubila Phoebus. [Alain de Lille, Liber Parabolarum] Depois da maior escuridão, o sol. Depois da tempestade, vem a bonança. VIDE: Blandi post nubila soles. Clarior est solito post maxima nubila Phoebus. Gratus est sollicito post maxima nubila Phoebus. Imbribus obscuris succedunt lumina solis. Nubilo serena succedunt. Phoebum post nubila irradiare. Post nebulas Phoebus. Post nubila, Phoebus. Solem fugatis nubilis reduci.

1457. Post mediam noctem. Depois da meia-noite.

1458. Post meridiem. Depois do meio-dia.

1459. Post mortem. Depois da morte. VIDE: Post obitum.

1460. Post mortem, medicina. [Rezende 5100] Depois da morte, o remédio. Casa arrombada, trancas às portas. Post mortem, medicus. [Rezende 5100] Depois da morte, o médico.

1461. Post mortem nihil. Depois da morte não há nada. A morte é o fim de todas as coisas. Post mortem, nihil est, ipsaque mors nihil. [Sêneca, Troades 397] Depois da morte não há nada; a própria morte não é nada.

1462. Post mortem nulla voluptas. Depois da morte não há nenhum prazer. Depois de morto, nem vinha nem horto. VIDE: Edamus, bibamus, gaudeamus: post mortem nulla voluptas.

1463. Post mortis morsum vertit dilectio dorsum. [Binder, Thesaurus 2622] Depois da mordida da morte, o amor vira as costas. A mortos e idos não há amigos. Dor de mulher morta dura até a porta. Morto o afilhado, desfeito o compadrado.

1464. Post multa virtus opera laxari solet. [Sêneca, Hercules Furens 476] Depois de muitas aventuras, a coragem costuma diminuir.

1465. Post multum temporis. [Vulgata, Êxodo 2.23] Depois de muito tempo. Post multum tempus. [S.Agostinho, Sermones 87.5]

1466. Post natus. [Jur / Broom 396] O que nasceu depois. VIDE: Ante natus.

1467. Post naufragium maria tentantur. [Sêneca, Epistulae Morales 81.2] Depois do naufrágio, busca-se novamente o mar. Trás um tempo vem outro.

1468. Post nubila, Phoebus. [Rezende 5103] Depois do nevoeiro, o sol. Depois da tempestade, vem a bonança. Depois do purgatório, a redenção. Post nebulas Phoebus. Depois das nuvens, o sol. Post nubila, iubila. [Lodeiro 825] Depois da escuridão, alegria. Post nubila, clarior. [Divisa da Sociedad de Estúdios Latinos, Espanha] Depois do nevoeiro, maior claridade. Post nubila, lux. Depois do nevoeiro, a luz. Post nubila, sol. Depois do nevoeiro, o sol. Post nubila, solem spero. VIDE: Blandi post nubila soles. Clarior est solito post maxima nubila Phoebus. Fide Deo, Deus est: post nubila iubila praebet. Gratus est sollicito post maxima nubila Phoebus. Imbribus obscuris succedunt lumina solis. Nubilo serena succedunt. Phoebum post nubila irradiare. Post maxima nubila Phoebus. Saepe post magna siccitate venit ingens pluvia. Solem fugatis nubilis reduci. Tempestas mutatur facile in serenitatem. Venit post pluvias lucida saepe dies.

1469. Post obitum. Depois da morte. VIDE: Post mortem.

1470. Post panes bona maza est. [Grynaeus 605] À falta de pães, massa é bom. À míngua de pão, boas são as tortas. Quem não tem pão alvo, come do ralo. VIDE: Bona est offa post panem. Bona etiam offa post panem. Bona est etiam offa post panem.

1471. Post partum. Depois do parto.

1472. Post pisces nux sit, post carnes caseus adsit. [Regimen Sanitatis Salernitanum] Depois do peixe, nozes; depois da carne, queijo.

1473. Post prandium stabis, post cenam ambulabis. [Regimen Sanitatis Salernitanum / Rezende 5107] Depois do almoço, sossegarás; depois do jantar, passearás. Depois de almoçar, deitar; depois de cear, passos dar.

1474. Post proelium, praemium. [Divisa] Depois da batalha, o prêmio. Depois do purgatório vem a redenção. Post proelia, praemia. [Divisa] Depois das lutas, os prêmios.

1475. Post rem devoratam, ratio. [Erasmo, Adagia 5.1.5] Depois que a fortuna foi devorada, juízo. Casa arrombada, trancas às portas.

1476. Post rerum eventum omnes facile sapientes sunt. Depois de ocorrerem os fatos, é fácil todos serem sábios. Depois do fato, todo mundo é sábio.

1477. Post satietatem, nihil agendum. [Celso, De Medicina 2.9] Depois de comer à saciedade, nada fazer. Depois de comer, nem uma carta ler.

1478. Post scriptum. Depois do texto. (=Pós-escrito. Texto que se acrescenta a uma carta, depois da assinatura).

1479. Post solis occasum. Depois do pôr do sol.

1480. Post tantum temporis. [Vulgata, Hebreus 4.7] Tanto tempo depois.

1481. Post tempestatem tranquillum. Depois da tempestade, a tranqüilidade. Depois da tempestade, a bonança. Depois do purgatório, a redenção. Post tempestatem tranquillum facis. [Vulgata, Tobias 3.22] Depois da tempestade, fazes a tranqüilidade. Post tempestatem tranquilitas. Depois da tempestade, a tranqüilidade. VIDE: Post fluctus denuo conspiscor tranquillitatem.

1482. Post tempus, tempus venit. Trás um tempo vem outro.

1483. Post tenebras, lux. [Divisa da cidade de Genebra] Depois das trevas, eis a luz.

1484. Post tenebras spero lucem. [Vulgata, Jó 17.12] Depois das trevas espero a luz.

1485. Post tot naufragia portum. [Divisa] Depois de tantos naufrágios, um porto. Depois do purgatório, a redenção. Post tot naufragia tutus. [Divisa] Depois de tantos naufrágios, estou em segurança.

1486. Post tres dies piscis vilescit et hospes. [Pontanus / Maloux 266] Hóspede e pescada, aos três dias enfada. Post tres saepe dies vilescit piscis et hospes. [DAPR 363] Post triduum hospes fastidit. Depois de três dias, o hóspede nos cansa. Post tres saepe dies vilescit piscis et hospes, ni sale conditus vel sit specialis amicus. [Jan Dantyszek, Carmina / Werner] Depois de três dias se estraga tanto o peixe como o hóspede, a não ser que aquele seja temperado com sal, ou este seja um amigo especial. VIDE: Hospes et piscis tertio quoque die odiosus est. Hospes nullus tam in amici hospitium deverti potest, quin, ubi triduum continuum fuerit, iam odiosus siet.

1487. Post tres dies resurgam. [Vulgata, Mateus 27.63] Eu hei de resurgir depois de três dias. VIDE: Resurgam.

1488. Post triduum mulier, hospes fastidit et imber, quod si plus maneat, quatriduanus erit. [Rezende 5112] Depois de três dias, a mulher, o hóspede e a chuva aborrecem, e, se durarem mais tempo, terão mau cheiro como um morto de quatro dias.

1489. Post tristia soles. [Binder, Thesaurus 2623] Depois da tristeza, o sol. Post tristia dulcor. Depois da tristeza, doçura. VIDE: Post nubila, Phoebus.

1490. Post Urbem conditam. Depois da fundação de Roma.

1491. Post verba, verbera. [Binder, Thesaurus 2626] Depois das palavras, pancadas.

1492. Post vinum, verba. Depois do vinho, palavras. Quando o vinho desce, as palavras sobem. Depois de beber, cada qual dá o seu parecer. Post vinum verba, post imbrem nascitur herba. [Escola de Salerno] Depois do vinho brotam as palavras; depois da chuva brota o capim. VIDE: Subsidente vino, supernatant verba. Vinum verba ministrat.

1493. Post vulnera clipeus. [Pereira 102] Depois dos ferimentos, o escudo. Depois de vindimas cavanejos. Casa arrombada, trancas às portas. VIDE: Clipeum post vulnera. Sero clipeum post vulnera sumo.

1494. Postea noli rogare, quod impetrare nolueris. [Sêneca, Epistulae Morales 95.1] Não peças o que depois não quererás ter.

1495. Postera in dubio est fortuna quam vehat aetas. [Lucrécio, De Rerum Natura 3.1088] Não se sabe que sorte trará o dia de amanhã. O dia de amanhã ainda ninguém o viu.

1496. Posteriora derogant prioribus. [Jur / Black 1389] As coisas posteriores derrogam as anteriores.

1497. Posteriora solent esse deteriora. [K.F.W.Wander, Deutsches Sprichwörter-Lexikon 338] O que vem depois costuma ser pior. Depois de mim virá quem bom me fará. Posteriora, deteriora. Posteriora, peiora prioribus.

1498. Posteriores cogitationes meliores sunt. Os raciocínios posteriores são melhores. Depois do mal acontecido, todos o tinham previsto. Posteriores cogitationes prudentiores. As decisões posteriores são mais prudentes. Posteriores cogitationes, ut aiunt, sapientiores esse solent prioribus. [Cícero, Philippica 12.2.5] Segundo dizem, as decisões posteriores são mais sábias que as primeiras.

1499. Posteriores leges ad priores pertinent, nisi contrariae sint. [Paulo, Digesta 1.3] As leis posteriores complementam as anteriores, a não ser que lhes sejam contrárias. VIDE: Leges posteriores ad priores pertinent, nisi contrariae sint.

1500. Posteriores leges plus valent quam quae ante eas fuerunt. [Jur] As leis posteriores têm mais força que as que existiam antes delas.

1501. Postmodo de stipula grandis acervus erit. [Ovídio, Amores 1.8.90] Com o correr do tempo dessa palha haverá um grande monte.

1502. Postpositis vanitatibus huius saeculi. Deixando-se de lado as vaidades deste mundo.

1503. Postquam docti prodierunt, boni desunt. [Sêneca, Epistulae Morales 95.13] Depois que surgiram os eruditos, faltam os sábios. Postquam docti surrexerunt, boni viri desierunt. [DAPR 634] Depois que surgiram os eruditos, sumiram os sábios.

1504. Postquam promisimus, necessario reddere debemus. [Medina 608] Depois que prometemos, obrigatoriamente temos de cumprir. Quem promete em dívida se mete. Promessa é dívida.

1505. Potat aquam metro, sed edit mazam sine metro. [Apostólio 12.74] Bebe água sob medida, mas come bolo sem medida. Aproveitador de farelos, esperdiçador de farinha. Quebra a louça e guarda os palitos. VIDE: Ad mensuram aquam bibit, citra mensuram panem comedit. Ad mensuram aquam bibunt, citra mensuram offam comedentes. Haurit aquam metro, capit immoderatus offam. Lege bibunt undam, comedunt sine lege placentam. Mensura aquam bibentes, citra mensuram mazam edentes.

1506. Potatio et comestio. O beber e o comer.

1507. Potens maxime in res bellicas fortuna. A sorte tem muita força, principalmente nas guerras. VIDE: Fortuna per omnia humana maxime in res bellicas potens.

1508. Potens misericors publica est felicitas. [Publílio Siro] Um príncipe piedoso é uma felicidade para o povo.

1509. Potentes ne tentes aemulari. [Epígrafe de Fábula de Fedro 1.23 / Rezende 5113] Não pretendas medir-te com os poderosos. Pobre que arremeda rico, morre aleijado. Não te arrisques a nadar onde pé não podes achar. VIDE: Inops, potentem dum vult imitari, perit.

1510. Potentes potenter tormenta patientur. [Vulgata, Sabedoria 6.7] Os grandes serão poderosamente atormentados. Quando vem ao soberbo o castigo, vem-lhe mais rijo. Potentes potenter torquentur.

1511. Potenti irasci, sibi periclum est quaerere. [Publílio Siro] Zangar-se com um homem poderoso é procurar para si o perigo. VIDE: Cum domino semper pugna sinistra fuit. Cum principe non pugnandum. Fuge lites cum viro maiore. Habeas nunquam magno cum principe litem. Lites cum rege molestae. Maiorem vitato virum. Nemo potentes aggredi tutus potest. Non habeas unquam magno cum principe litem: cum domino semper pugna sinistra fuit. Offensa potentium periculosa. Semper vitato potentem.

1512. Potentia est in iunioribus, prudentia autem in senioribus. [Aristóteles, Politica] Nos jovens está a força, mas nos velhos está a prudência.

1513. Potentiam malitia adiutam quis effugiat? [Epígrafe de Fábula de Fedro 2.6 / Rezende 5114] Se ao poder se junta a malícia, quem poderá escapar-lhe?

1514. Potentior est quam vox mens dicentis. A intenção de quem fala tem mais força do que sua voz. VIDE: Prior atque potentior est, quam vox, mens dicentis.

1515. Potentioris societatem fuge. [Epígrafe de Fábula de Fedro 1.5 / Rezende 5116] Evita a companhia do mais poderoso. Com quem pode, não se brinca. VIDE: Potentum amicitiae sunt periculosae.

1516. Potentiorum discordias imbecillioribus saepe prodesse. As discórdias dos poderosos muitas vezes favorecem aos mais fracos.

1517. Potentiorum iniuriae hilari vultu, non tantum patienter ferendae sunt. [Sêneca, De Ira 2.33.1] As injustiças dos poderosos devem ser suportadas não só com paciência, mas até com rosto alegre.

1518. Potentis est facere quod velit. É do poderoso fazer o que quiser. Manda quem pode, obedece quem serve.

1519. Potentissimus est qui se habet in potestate. [Sêneca, Epistulae Morales 90.34] O homem mais poderoso é o que tem domínio sobre si mesmo. Quem se vence, vence o mundo. VIDE: Fortior est qui se, quam qui fortissima vincit moenia. Quem magis admiraberis, quam qui imperat sibi, quam qui se habet in potestate?

1520. Potentum amicitiae sunt periculosae. [Grynaeus 763] As amizades dos poderosos são perigosas. Com o fogo não se brinca. VIDE: Cum domino cerasum res est mala mandere servum. Potentioris societatem fuge.

1521. Potest caecus caecum ducere? [Vulgata, Lucas 6.39] Pode um cego guiar outro? Cego não pode guiar cego. VIDE: Caecus autem, si caeco ducatum praestet, ambo in foveam cadunt. Caecus caecum ducens, in foveam se ipsum cum illo praecipitat. Caecus caecos ducat in foveam. Si caecum caecus ducit, ambo in foveam cadunt.

1522. Potest, dum res integra est, infecta fieri emptio. [Digesta 18.5.2] Enquanto a coisa está íntegra, a compra pode ser desfeita.

1523. Potest enim quicquam esse absurdius quam, quo viae minus restet, eo plus viatici quaerere? [Cícero, De Senectute 66] Pode haver coisa mais absurda do que, quanto menos caminho resta, buscar mais provisões de viagem? VIDE: Exacta via, viaticum quaeris. Quid enim stultius est, quam via defici