DICIONÁRIO DE EXPRESSÕES E FRASES LATINAS

Compilado por HENERIK KOCHER

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D2: 201-400

201. De fructu arborem cognosco. [Erasmo, Adagia 1.9.39] Pelo fruto conheço a árvore. Pelo fruto se conhece a árvore. Pelo fruto conheço a árvore. Árvore ruim não dá bom fruto. VIDE: Arbor ex fructu cognoscitur. E fetu cognosco arborem; e factis hominem iudico. E fructu arborem cognosco. E fructu arborem. Ex fructu arbor. Ex fructu cognoscitur arbor. Ex fructu arbor agnoscitur. Fructibus ex propriis arbor cognoscitur omnis. Fructibus ipsa suis, quae sit, cognoscitur arbor. Unaquaeque enim arbor de fructu suo cognoscitur.

202. De fumo ad flammam. [Luciano / Amiano Marcelino, Res Gestae 14.11.12] (Fugir) da fumaça e cair na chama. Escapei do trovão e dei no relâmpago. De fumo in flammam. VIDE: De calcaria in carbonariam pervenire. Evitata Charybdi in Scyllam incidi. Ire de fumo ad flammam. Tendere de fumo ad flammam.

203. De fumo disceptare. [Erasmo, Adagia 1.3.54] Brigar pela fumaça. Discutir o sexo dos anjos. Discutir se penico de barro dá ferrugem. . Tratar de coisa que nem vai nem vem. VIDE: De asini umbra disputare. De asini umbra disceptare. De lana caprina contendere. De lana caprina rixare. De pilis lutove disceptare. De umbra aselli verba sunt. Rixatur de lana saepe caprina.

204. De funiculo pendet. Está pendurado por um fio. Está por um fio. VIDE: A filo pendet. De filo pendet. De pilo pendet. E pilo pendet.

205. De futuris rebus etsi semper difficile est dicere, tamen interdum coniectura possis accedere. [Cícero, Ad Familiares 6.4] Embora seja sempre difícil adivinhar o futuro, no entanto podemos aproximar-nos dele usando conjecturas.

206. De futuro. No futuro.

207. De gratia. [Jur / Black 514] De favor. Por favor. VIDE: De facto. De iure.

208. De gustibus non est disputandum. [DAPR 331] De gostos não se deve discutir. Gostos não se discutem. Se todos os gostos fossem iguais, o que seria do amarelo? Cada um tem seu gosto. De gustibus non oportet disputare. De gustibus et coloribus non est disputandum. [Rezende 1163] De gostos e cores não se deve discutir.

209. De gustu cognosco. [Erasmo, Adagia 1.9.37] Conheço pelo sabor.

210. De hac luce ad meliorem, vocante Deo, migravit. [Boncompagno, Palma 30] Chamado por Deus, migrou desta luz para uma melhor. Passou desta para melhor.

211. De his criminibus, de quibus absolutus est accusatus, non potest accusatio replicari. [Gregório IX, Decretalia 1.6] Dos crimes de que o acusado foi absolvido não se pode replicar a acusação. VIDE: Absolutus de certo crimine de eodem iterum accusari non potest.

212. De iis rebus quae narrata sunt non debemus cito credere. [Sêneca, De Ira 2.29.2] Não devemos crer com muita rapidez naquilo que nos contam.

213. De improbis viris auferri praemium et praedam decet. [Plauto, Pseudolus 1216] Dos desonestos, é preciso tirar deles vantagem e proveito.

214. De improviso. De improviso. Sem ser esperado.

215. De industria. Com todo o cuidado. Intencionalmente.

216. De inimicis facti sumus amici. De inimigos, tornamo-nos amigos.

217. De inimico non loquaris male, sed cogites. [Publílio Siro] Pensa mal do teu inimigo, mas não o digas.

218. De integro. [Jur] Por inteiro. Não alterado. Fielmente. Recomeçando do começo. VIDE: Ab integro.

219. De iure constituendo. [Jur] Do direito a constituir.

220. De iure humano. Por direito humano.

221. De iure iudices, de facto iuratores respondent. [Jur / Black 515] À questão de direito respondem os juízes, à questão de fato respondem os jurados. VIDE: Ad quaestionem iuris respondeant iudices, ad quaestionem facti respondeant iuratores.

222. De iure. [Jur / Black 515] De direito. Legítimo. A justo título. VIDE: De facto. De gratia.

223. De lana caprina contendere. Brigar a respeito da lã da cabra. Discutir o sexo dos anjos. Discutir se penico de barro enferruja. Tratar de coisa que nem vai nem vem. De lana caprina rixare. De lana caprina digladiari. [Erasmo] VIDE: De asini umbra disputare. De asini umbra disceptare. De asini prospectu incusatio est. De fumo disceptare. De luto disceptare. De pilis disceptare. De umbra aselli verba sunt. Rixatur de lana saepe caprina.

224. De lana sua cogitare. Pensar na própria lã. (=Cuidar dos próprios interesses). VIDE: Cogitare de lana sua.

225. De latere. [Jur] Do lado. Colateralmente.

226. De lege ferenda. [Jur] Da lei a criar.

227. De lege lata. [Jur] De acordo com a lei já promulgada.

228. De lege non iudicat artifex. [Pereira 98] Artesão não julga de leis. Cada qual no seu ofício. Sapateiro, aos teus sapatos. Não suba o sapateiro além da chinela. VIDE: Ne supra crepidam sutor iudicaret. Ne sutor supra crepidam. Ne sutor ultra crepidam.

229. De limo in caelum. (Subir) do lodo para o céu. VIDE: De caelo in caenum.

230. De lingua stulta veniunt incommoda multa. [Binder, Thesaurus 706] Da língua insensata vêm muitos aborrecimentos. Língua é que fala, corpo é que paga. VIDE: E lingua stulta veniunt incommoda multa. Ex lingua stulta veniunt incommoda multa. Non est in silva peior fera quam mala lingua; de lingua stulta veniunt incommoda multa.

231. De luna, si vere luce lucet aliena, sequentia docebunt. [Macróbio, Commentarius 1.17] A respeito da lua, se ela brilha com luz alheia, os fatos que seguem esclarecerão. VIDE: Luce lucet aliena.

232. De lunatico inquerendo. [Jur] Da inquirição do estado mental da pessoa.

233. De luto disceptare. Discutir a respeito da lama. Discutir se penico de barro enferruja.

234. De magnis divitiis, si quid demas, plus fit an minus? [Plauto, Trinummus 311] De uma grande riqueza, se tiras alguma coisa, ela fica maior ou menor?

235. De magno est praeda petenda grege. [Tibulo, Elegiae 1.1.34] A presa deve ser procurada em rebanho grande. No grande mar se cria o grande peixe.

236. De male quaesitis vix gaudet tertius heres. [Rabelais, Gargantua 3.1] Das riquezas mal adquiridas dificilmente goza a terceira geração. Pai rico, filho nobre, neto pobre. De male quaesitis non gaudet tertius heres. [Grynaeus 776] VIDE: De rebus male acquisitis non gaudebit tertius heres. Male parta male dilabuntur.

237. De malo in peius. [John Owen, Epigrammata 8.32] De mau a pior. (=É o título do epigrama).

238. De mane consilium. [Binder, Thesaurus 708] De manhã é que se tomam as decisões. Dormirei, dormirei, boas novas acharei. De manhã é que se começa o dia.

239. De manu in manum. [Cícero, Ad Familiares 7.5; Erasmo, Adagia 4.5.29] De mão a mão.

240. De mendico male meretur qui ei dat quod edit aut bibat; nam et illud quod dat perdit et illi prodit vitam ad miseriam. [Plauto, Trinnumus 301] Presta mau serviço ao mendigo quem lhe dá de comer ou beber, pois perde o que dá e lhe prolonga a vida na miséria.

241. De mensa sobrius esto. [DAPR 611] À mesa sê moderado. Não te arrependas nunca de ter comido pouco.

242. De meo. Às minhas expensas. Por minha conta.

243. De mero motu. Por simples impulso.

244. De minimis granis fit magnus acervus. [DAPR 325] De pequeninos grãos se junta grande monte. De bago em bago, enche a velha o saco. De minimis granis fit grandis summa. [Binder, Thesaurus 709] VIDE: Adde parvum parvo, magnus acervus erit. De multis, grandis acervus erit. De multis parvis grandis acervus erit. De stipula grandis acervus erit. Ex granis fit acervus.

245. De minimis non curat lex. [Bacon, Epistulae 282] A lei não cuida de pequenas coisas.

246. De minimis non curat praetor. [Manúcio, Adagia 1409] O pretor não cuida de coisas sem importância. Homem grande não desce a coisas baixas. As águias não caçam moscas. VIDE: Animus excelsus res humiles despicit. Maximis occupati negotiis ad pusilla quaedam connivent. Minima non curat praetor. Modica non curat praetor. Non curat testudo muscam. Summi viri neglegunt minutula quaepiam.

247. De more. Segundo o costume. Normalmente.

248. De morte hominis nulla est cunctatio longa. [Jur / Black 516] Quando se trata da morte de um ser humano, nenhuma demora é considerada longa.

249. De mortuis nihil nisi bonum. [Quílon / Rezende 1183] Dos mortos, só coisa boa. Enterrado, perdoado. Não batas em homem morto. Ninguém sabe onde fica o cemitério dos ruins. De mortuis nil nisi bene. [Spalding, Guia Prático 115] De mortuis non nisi bene. [Binder, Thesaurus 710] De mortuis optima. [O Globo, 25 set. 04, 2º Caderno, p. 11] Dos mortos, somente coisas muito boas. De mortuis nihil nisi verum. A respeito dos mortos, dizer somente a verdade. De mortuis et absentibus nil nisi bene (loqui decet). De mortos e ausentes só se deve falar bem. VIDE: Mortuis non convinciandum. Nihil de mortuis nisi bonum. Parce sepulto. Parce sepultis.

250. De motu proprio. Por movimento próprio. Por iniciativa própria. Voluntariamente. VIDE: De proprio motu. Ex proprio motu. Motu proprio. Proprio motu. Sponte propria. Sponte sua. Sua sponte.

251. De multis multum, de paucis sume pusillum. [Pereira 103] Do muito tira muito, do pouco tira pouquinho. Do pouco o pouco, e do muito o muito.

252. De multis paleis grana pauca coëgi. [Schottus, Adagia 417] Da muita palha colhi pouco grão. Muita palha e pouco grão. VIDE: E multis paleis, paulum fructus collegi. E multis paleis, parum fructus. Ex multis paleis parum fructus reportavi. Ex multis paleis parum fructus.

253. De multis, grandis acervus erit. [Ovídio, Remedia Amoris 424] De muitas coisas se fará um grande monte. Muitos poucos fazem um muito. De multis parvis grandis acervus erit. De muitas coisas pequenas formar-se-á um grande monte. VIDE: De minimis granis fit magnus acervus. De multis parvis grandis acervus erit.

254. De nihilo crevit. [Petrônio, Satiricon 38] Nasceu do nada. (=Refere-se a um homem pobre que enriqueceu comerciando). Fez-se por si mesmo.

255. De nihilo nihil. Nada (vem) do nada. De nihilo nihilum. VIDE: Ex nihilo nihil fit. Ex nihilo nihil. Gigni de nihilo nihil, in nihilum nil posse reverti. Nihil ex nihilo. Nil igitur fieri de nilo posse fatendum est. Nullam rem e nihilo gigni divinitus unquam.

256. De nocte. Em plena noite.

257. De nocte consilium. [Binder, Thesaurus 712] À noite, o conselho. A noite traz conselho. Para teu conselheiro não esqueças o travesseiro. VIDE: In nocte consilium. . Noctu urgenda consilia. Nox dabit consilium.

258. De non apparentibus, et non existentibus, eadem est ratio. [Jur / Broom 131] Tanto para as coisas que não aparecem como para as que não existem, a regra é a mesma. VIDE: Idem est non esse et non apparere. Quod non apparet non est.

259. De novo. De novo. Desde o começo. Novamente. Uma segunda vez.

260. De nuce fit corylus, de glande fit ardua quercus. [DAPR 457] Da noz nasce a aveleira, da bolota nasce o alto carvalho. O maior carvalho saiu de uma bolota. Grande é o marão, e não dá palha nem grão. De pequena fagulha, grande labareda. De nuce fit corylus, de glande fit ardua quercus, e parvo puero saepe peritus homo. [Eiselein 375] Da noz nasce a aveleira, da bolota nasce o alto carvalho, de pequeno menino muitas vezes sai um homem competente. VIDE: De parvo puero saepe peritus homo. Omnium enim rerum principia parva sunt. Parvis e glandibus quercus. Sub qua nunc recubas arbore, virga fuit. Tandem fit surculus arbor.

261. De omni re scibili, et quibusdam aliis. (Trata) de tudo que se possa saber e de algumas outras coisas. (=É alusão irônica à obra De Omni Re Scibili, publicada por Pico della Mirandola. A frase é citada para ironizar pessoa que pretende saber tudo). De omnibus rebus et quibusdam aliis. De todas as coisas e algumas outras.

262. De omnibus dubitandum. [Princípio da filosofia de Descartes] Deve-se questionar tudo.

263. De ore tuo te iudico. [Vulgata, Lucas 19.22] Julgo-te pela tua boca. A boca diz quanto lhe manda o coração. VIDE: Ex ore tuo te iudico.

264. De pane lucrando. Com o objetivo de ganhar o pão. (=Diz-se de atividade exercida com fins de lucro).

265. De partibus vitae omnes deliberamus, de tota nemo deliberat. [Sêneca, Epistulae Morales 71.2] De partes de nossa vida, todos tomamos decisões; do todo ninguém delibera. De partibus vitae quisque deliberat, de summa nemo. Todos tomam decisões sobre partes de sua vida, ninguém sobre a última.

266. De parva scintilla magnum saepe excitatur incendium. [Stevenson 1442] De uma faísca minúscula muitas vezes nasce um incêndio. De uma faísca se queima a vila. De pequena fagulha, grande labareda. Com pequena brasa se queima uma casa. De parva scintilla magna suscitavit incendia. [S.Tomás de Aquino, In Matthaeum 11.3] De uma pequena faísca provocou grandes incêncios. VIDE: A scintilla una augetur ignis. Ex minima magnus scintilla nascitur ignis. Ex scintilla incendium. Ex sola scintilla conflagrat saepe tota domus. Parva saepe scintilla magnum excitat incendium. Parva saepe scintilla contempta magnum excitavit incendium. Videmus accidere ex una scintilla incendia passim.

267. De parvo puero saepe peritus homo. [Singer, Thesaurus Proverbiorum Medii Aevi 20] De um menininho muitas vezes sai um homem instruído. VIDE: Ante fuit vitulus, qui nunc fert cornua taurus. De nuce fit corylus, de glande fit ardua quercus. E parvo puero saepe peritus homo. Omnium enim rerum principia parva sunt. Saepe caballus erit qui pulli more subhinnit.

268. De paupere frequenter fit iudicium, sed contra iniuriam divitis non est remedium. [VES 99] Com freqüência se faz julgamento do pobre, mas contra a injustiça do rico não há remédio. Ladrão endinheirado nunca morre enforcado. VIDE: Contra iniuriam divitis non est remedium.

269. De paxillo suspendere. [Manúcio, Adagia / Bernardes, Nova Floresta 3.97] Pendurar no poste. (=Reter um documento. Engavetar um processo).

270. De persona ad personam. De pessoa a pessoa.

271. De pilis disceptare. Brigar por causa de pêlos Discutir o sexo dos anjos. VIDE: De asini umbra disputare. De asini umbra disceptare. De asini prospectu incusatio est. De fumo disceptare. De lana caprina contendere. De lana caprina rixare. De umbra aselli verba sunt. Rixatur de lana saepe caprina.

272. De pilo pendet. [Erasmo, Adagia 1.9.72] Está pendurado por um cabelo. Está por um fio. VIDE: A filo pendet. De filo pendet. E pilo pendet.

273. De plano. Sem dificuldade. Sem formalidade. Sumariamente.

274. De plenis cyathis multos periisse sciatis. [Eiselein 636] Sabeis que muitos morreram por causa dos copos cheios. Mais homens se afogam no copo que no mar. VIDE: Ense cadunt multi, perimit sed crapula plures.

275. De potentia ad actum. Da possibilidade à realização.

276. De praeteritis non est querendum. [Cícero, Ad Familiares 7.28] Não devemos queixar-nos do que passou.

277. De primo ad ultimum. Do primeiro ao último.

278. De profundis clamavi ad te, Domine. [Vulgata, Salmos 129.1] Das profundezas te chamei, Senhor.

279. De proprio motu. Por movimento próprio. Por iniciativa própria. Espontaneamente. Voluntariamente. VIDE: De motu proprio. Ex proprio motu. Motu proprio. Proprio motu. Sponte propria. Sponte sua. Sua sponte.

280. De pulchro ligno vel pendere libeat. [Schottus, Adagia 367] Até para enforcar-se uma bela árvore agrada. De pulchro ligno vel strangulare. [Erasmo, Adagia 2.2.8] De pulchro ligno etiam strangulari convenit. [Eiselein 203] VIDE: E pulchro ligno vel suspendi praestat. Suspendium etiam fiat e digna trabe. Vel strangulari pulchro de ligno iuvat.

281. De re irreparabile ne doleas. [Mota 154] Não sofras pelo que não tem conserto. O que não tem remédio remediado está. Não chores pelo leite derramado.

282. De rebus ignotis per notas et evidentes coniecturam fac. [Solon / Rezende 1212] Pelas coisas conhecidas e evidentes tira conclusões sobre as desconhecidas.

283. De rebus male quaesitis non gaudebit tertius heres. [Ambrósio, De Officiis] Das riquezas mal adquiridas não gozará a terceira geração. Pai rico, filho nobre, neto pobre. Avô rico, pai remediado, filho pobre. VIDE: De male quaesitis vix gaudet tertius heres. De male quaesitis non gaudet tertius heres.

284. De rebus pacis ac belli. [S.Agostinho, De Civitate Dei 2.11] Das questões de paz e de guerra. De coisas da guerra e da paz.

285. De rebus, non specie, sed vera utilitate iudicemus. Sobre as coisas julguemos não pela aparência, mas pela verdadeira utilidade.

286. De repente. De repente. VIDE: De subito.

287. De sapienti viro facit ira virum cito stultum. [Werner] A ira rapidamente transforma um homem sábio num estúpido.

288. De scurra multo facilius divitem quam patrem familias fieri posse. [Cícero, Pro Quinctio 17] De um bufão é mais fácil fazer-se um homem rico que um pai de família. Nunca de bom mouro bom cristão. Quem foi ruim não deixa de ser. VIDE: E scurra facilius dives quam paterfamilias sit. Qui semel scurra, nunquam paterfamilias. Scurra semel nunquam paterfamilias.

289. De se nemo male praedicat. [Pereira 112] Ninguém fala mal de si. Não há romeiro que diga mal do seu bordão.

290. De siccis lignis componitur optimus ignis. [Binder, Thesaurus 719] De lenha seca se faz o melhor fogo. De bom logo, bom fogo.

291. De similibus idem est iudicium. [Jur] Em casos semelhantes, o julgamento é o mesmo.

292. De sole caecus iudicat. [Binder, Thesaurus 720] O cego dá opinião sobre o sol. Não pode o cego distinguir cores.

293. De stipula grandis acervus erit. [Ovídio, Amores 1.8.90] De uma palha se formará um grande monte. De pequeninos grãos se junta grande monte. De bago em bago, enche a velha o saco. VIDE: De minimis granis fit magnus acervus. De multis, grandis acervus erit. De multis parvis grandis acervus erit. Ex granis fit acervus.

294. De subito. De repente. VIDE: De repente.

295. De tanta laetitia, quanta tristitia! [S.Bernardo, Meditationes Piissimae 3.9] De tão grande alegria, quanta tristeza!

296. De te fabula narratur. [Rezende 1229] É de ti que se fala nesta história. VIDE: Quid rides? Mutato nomine de te fabula narratur.

297. De tempore in tempus. De tempos em tempos.

298. De tenero ungue. Desde quando tinha a unha mole. (=Desde criancinha). VIDE: A nutricibus. A parvulo. A parvulis. A prima aetate. A prima pueritia. A primo vitae limine. A puero. A rudibus annis.A teneris annis. A tenero ungue. Ab adulescentia. Ab exordio vitae. Ab incunabulis. Ab ineunte aetate. Ab infantia. Ab infantia prima. Ab initio aetatis.

299. De terra es, et de terra vivis, et in terram reverteris, quando venerit dies illa ultima quae subito veniet, et forsitan hodie erit. [S.Bernardo, Meditationes Piissimae 3.10] És da terra, e vives da terra, e voltarás para a terra, quando chegar aquele último dia que chegará subitamente, e que talvez seja hoje.

300. De toga ad pallium. [Erasmo, Adagia 4.5.45] (Passar) da toga para o pálio. Tornar para trás como caranguejo. Passar de cavalo a burro.

301. De tuo capite aguntur comitia. [Erasmo, Adagia 4.1.69] É de tua cabeça que tratam os comícios. De tua pele se trata.

302. De tuo stomacho coniecturam facis. [Medina 604] Julgas de acordo com teu estômago. Pelo teu coração, julgas o de teu irmão.

303. De umbra aselli verba sunt. [Schottus, Adagia 621] A discussão é sobre a sombra do burrinho. (=Disputam sobre nugas). VIDE: De asini umbra disputare. De asini prospectu. De fumo disceptare. De lana caprina contendere. De lana caprina rixare. De pilis lutove disceptare. Rixatur de lana saepe caprina.

304. De vento vivere. [Binder, Thesaurus 722] Viver de vento. Viver de ar.

305. De verbis perventum est ad verbera. [VES 67] Das palavras passou-se às pancadas. VIDE: A verbis ad verbera.

306. De verbo ad verbum. Palavra por palavra. Textualmente. De verbo ad verbum.

307. De verborum significatione. [Digesta 50.16] Do significado das palavras.

308. De vero. Na realidade.

309. De vestimentis enim procedit tinea, et a muliere iniquitas viri. [Vulgata, Eclesiástico 42.13] Dos vestidos vem a traça; da mulher vem a maldade do homem.

310. De via in semitam degredi. [Plauto, Casina 568] Afastar-se da estrada para o atalho. (=Fugir do assunto).

311. De visu. De vista. Por ter visto. VIDE: Ex visu.

312. De vita et moribus. A respeito da vida e dos costumes. (Diz-se das informações sobre a vida e costumes de uma pessoa).

313. De vitiis nostris scalam nobis facimus, si vitia ipsa calcamus. [S.Agostinho, Sermones 176.4] Construímos para nós uma escada com nossos vícios, se nós pisamos nesses vícios.

314. Dea impudentia! [Schottus, Adagia 221] Deusa impudência! Mas que descaramento!

315. Dea infensa tenebat oculos defixos in terram. A deusa, irritada, mantinha os olhos fixos no chão. VIDE: Diva solo fixos oculos aversa tenebat.

316. Debebis optare optima. [Cícero, Ad Familiares 9.17] Deverás desejar o melhor.

317. Debemur morti nos nostraque. [Horácio, Ars Poetica 63] Estamos destinados à morte, nós e nossas obras.

318. Debemus autem nos firmiores imbecillitates infirmorum sustinere. [Vulgata, Romanos 15.1] Nós, que somos mais fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos.

319. Debemus carmina Baccho. [Nemesiano, Écloga 3.16] É a Baco que devemos as canções. VIDE: Carmen amat Bacchum, carmina Bacchus amat.

320. Debet illud solum probari quod probatum prosit probatori. [Jur] Só deve ser provado aquilo que favorece a quem prova.

321. Debet quis iuri subiacere ubi delinquit. [Jur / Black 524] A pessoa deve ser submetida à lei (do lugar) onde delínqüe.

322. Debet sua cuique domus esse perfugium tutissimum. [Jur / Black 524] A casa de todo homem deve ser um refúgio totalmente seguro.

323. Debile fundamentum fallit opus. [Jur / Broom 147] Um alicerce fraco derruba o edifício.

324. Debile principium melior fortuna sequetur. [Rabelais, Gargantua 42] Uma sorte melhor seguirá o começo fraco.

325. Debilior culex. Mais fraco que um mosquito.

326. Debilis ac fortis veniunt ad limina mortis. [Gaal 1532] Tanto o fraco como o forte chegam à porta da morte. A morte não poupa nem o fraco nem o forte. Tanto morre o papa como quem não tem capa. VIDE: Est commune mori, mors nulli parcet honori. Mors servat legem: tollit cum paupere regem.

327. Debita carminibus libertas. [Virgílio, Aetna 91] Os poemas têm direito à liberdade. VIDE: Liberi poëtae et pictores. Pictor poëtaque esse liberi solent. Pictores et poëtae liberi. Pictoribus atque poëtis quidlibet audendi semper fuit aequa potestas.

328. Debita redde mihi. [Maximiano, Elegiae 5.52] Paga-me o que deves. VIDE: Redde quod debes.

329. Debita sequuntur personam debitoris. [Jur / Black 524] Os débitos seguem a pessoa do devedor.

330. Debita si vetera sunt, accipiatur avena. [Eiselein 24] Se as dívidas são velhas, aceita-se até aveia. De ruim pagador, em farelos. VIDE: Ab improbo debitore quidvis accipe. Accipias paleam, si non vult solvere nequam. Arripias paleas, si non vult solvere nequam debitor; accipias, si miser est, paleas. Debitor, accipias, si miser est, paleas. Pro veteri debito accipimus stramen avenae.

331. Debito modo, tempore opportuno, in loco conveniente. No modo devido, no tempo apropriado, no lugar conveniente.

332. Debito soluto, tranquilla agitur vita. [Medina 608] Paga a dívida, a vida fica tranqüila. Quem paga suas dívidas, cura seus males. VIDE: Qui nulli debet, fortunatissimus ille est. Ter quaterque felix qui non est debitor ulli.

333. Debitor, accipias, si miser est, paleas. [Pereira 102] Se o devedor é um coitado, receberás até palhas. De ruim pagador, em farelos. VIDE: Ab improbo debitore quidvis accipe. Accipias paleam, si non vult solvere nequam. Arripias paleas, si non vult solvere nequam debitor; accipias, si miser est, paleas. Pro veteri debito accipimus stramen avenae.

334. Debitor debitoris mei debitor meus est. [Mota 183] O devedor do meu devedor é meu devedor. Quem deve a quem me deve a mim me deve.

335. Debitor debitoris mei meus non est debitor. [Jur] O devedor do meu devedor não é meu devedor. Debitor debitoris mei debitor meus non est. VIDE: Debitoris mei debitor non est meus debitor.

336. Debitor es regis? duplicata numismata solves. [Pereira 118] Deves ao rei? Pagarás o dinheiro em dobro. Quem a vaca do-rei come magra, gorda a paga.

337. Debitor hic praestat, qui debita solvere curat. [DAPR 238] Leva vantagem o devedor que cuida de pagar as dívidas. Quem paga dívida faz cabedal.

338. Debitor non est sine creditore, non magis quam maritus sine uxore aut sine filio pater; aliquis dare debet, ut aliquis accipiat. [Sêneca, De Beneficiis 5.8.1] Não há devedor sem credor, do mesmo modo que não há marido sem mulher, ou pai sem filho: alguém deve dar, para que alguém receba.

339. Debitor sui ipsius esse nemo potest. [Jur] Ninguém pode ser devedor de si mesmo.

340. Debitoris mei debitor non est meus debitor. [Jur] O devedor do meu devedor não é meu devedor. VIDE: