DICIONÁRIO DE EXPRESSÕES E FRASES LATINAS
Compilado por HENERIK KOCHER
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I9: 1601-1800
1601. Iniuriarum remedium est oblivio. [Publílio Siro] O remédio das injustiças é o esquecimento. ■A maior vingança é o desprezo. ●Iniuriarum remedium est oblivium. VIDE: ●Magnanimo iniuriae remedium oblivio est. ●Remedium iniuriarum oblivio est.
1602. Iniuriarum vulnera, non curando, curantur. As feridas das injúrias curam-se por si, se com elas não nos preocupamos.
1603. Iniurium autem est ulcisci adversarios? aut qua via te captent, eadem ipsos capi? [Terêncio, Hecyra 72] Então é injusto vingar-se dos inimigos? Ou serem eles apanhados com as mesmas armadilhas com que eles te apanham?
1604. Iniussu populi. Sem o mandado do povo.
1605. Iniusta ab iustis impetrare non decet, iusta autem ab iniustis petere, insipientia est. [Plauto, Amphitruo 35] Conseguir coisas desonestas de pessoas honestas não é decente; e fazer pedidos honestos a pessoas desonestas é insensatez. VIDE: ●Iustum ab iniustis petere insipientia est.
1606. Iniusti autem disperibunt simul. [Vulgata, Salmos 36.38] Mas os injustos perecerão todos ao mesmo tempo.
1607. Iniustitia, seu iniuria, est voluntaria iuris alieni violatio, absque causa legitima. [Jur] A injustiça é a violação voluntária do direito alheio, sem causa legítima.
1608. Iniustum est gaudere velle cum gaudentibus et flere non velle cum flentibus. [S.Agostinho] É injusto querer alegrar-se com os que se alegram e não querer chorar com os que choram. ■Ri, e o mundo rirá contigo; chora, e chorarás sozinho. VIDE: ●Arridemus ridentibus et contristat nos turba maerentium. ●Gaudere cum gaudentibus, flere cum flentibus. ●Ridentibus arride. ●Ut ridentibus arrident, ita flentibus adsunt humani vultus. ●Ut ridentibus arrident, ita flentibus afflent.
1609. Iniustus, qui sola putat proba quae facit. [Dionísio Catão, Monosticha, Appendix 66] É injusto quem só considera bom o que ele mesmo faz.
1610. Innocens animus mihi, scelesta manus est. [Sêneca, Hercules Oetaeus 964] Meu coração é inocente, mas minha mão é criminosa.
1611. Innocens credit omni verbo; astutus considerat gressus suos. [Vulgata, Provérbios 14.15] O simples dá crédito a cada palavra, mas o prudente atenta para os seus passos.
1612. Innocens ego sum a sanguine iusti huius. [Vulgata, Mateus 27.24] Eu sou inocente do sangue deste justo.
1613. Innocens manibus et mundo corde (...). Hic accipiet benedictionem a Domino. [Vulgata, Salmos 23.4-5] O inocente de mãos e limpo de coração (...). Este receberá a bênção do Senhor.
1614. Innocentes pro nocentibus poenas pendunt. [César, De Bello Gallico 6.9] Os inocentes são enforcados em lugar dos culpados. ■Paga o justo pelo pecador. VIDE: ●Alius peccat, alius plectitur. ●Canis peccatum sus dependit. ●Faber cadit cum ferias fullonem. ●Fabrum caedere cum ferias fullonem. ●Ob textoris peccatum coquus vapulavit. ●Quod peccant sontes, insontes saepe luerunt. ●Quod peccant sontes, insontes saepe tulerunt. ●Quod sus peccavit, succula saepe luit. ●Tibicen vapulat, coquo peccante.
1615. Innocentia est eloquentia. [Pontanus / Stevenson 1248] Inocência é eloqüência. ■Homem honrado não há mister gabado.
1616. Innocue vivite: numen adest. [Ovídio, Ars Amatoria 640] Vivei sem fazer mal: a divindade é testemunha de vossos atos.
1617. Innocuos censura potest permittere lusus. [Marcial, Epigrammata 1.4.7] A censura pode permitir gracejos inocentes.
1618. Innocuus alium aspiciam meum habentem malum. [Aristóteles / Erasmo, Adagia 2.9.71] Olho outra pessoa a sofrer o meu mal, e eu não o sofro. ■Feliz aquele a quem as desgraças alheias tornam acautelado. VIDE: ●Indemnis spectabo alium mala nostra ferentem.
1619. Innumerabiles esse morbos non miraberis? Coquos numera! [Sêneca, Epistulae Morales 95.22] Não te espantes de que haja tantas doenças: conta os cozinheiros.
1620. Innumeras curas secum afferunt liberi. [Erasmo] Filhos trazem preocupações sem conta.
1621. Inopem me copia fecit. [Ovídio, Metamorphoses 3.466] A abundância me fez pobre. VIDE: ●Quod cupio mecum est, inopem me copia fecit.
1622. Inopem saturat providus ipse Deus. [Rezende 2709] Deus, que é próvido, alimenta ele mesmo o pobre. ■A quem nada tem, Deus o mantém.
1623. Inopi beneficium bis dat, qui dat celeriter. [Publílio Siro] Quem dá sem demora, favorece ao pobre em dobro. ■Mais vale um toma que dois te darei. ■Quem cedo dá, dá duas vezes. ■Dá duas vezes quem de pronto dá. ●Inopi beneficium bis dat, qui cito dat. VIDE: ●Beneficium celeritas gratius facit. ●Beneficium egenti bis dat, qui dat celeriter. ●Bis dat qui cito dat. ●Bis dat qui cito dat; nil dat qui munera tardat. ●Bis dat qui dat celeriter. ●Duplex fit bonitas, si simul accessit celeritas. ●Gratissima sunt beneficia, ubi nulla mora fuit. ●Plus dat qui in tempore dat. ●Plus dat qui tempore dat.
1624. Inopi nullus amicus. [Mota 167] O pobre não tem nenhum amigo. ■Pobre não tem amigo nem parente. ■Quem pobreza tem, dos parentes é desdém. VIDE: ●Pauper viduatur amicis. ●Paupertas nec ullos habet amicos.
1625. Inopiae desunt multa, avaritiae omnia. [Publílio Siro] ■Ao pobre falta muito; ao avarento, tudo. ●Inopiae desunt pauca, avaritiae omnia. [Binder, Thesaurus 1518] À pobreza falta um pouco, à avareza, tudo. VIDE: ●Desunt inopiae multa, avaritiae omnia. ●Maxima egestas avaritia. ●Tantalus sitit in undis, et avarus eget in opibus.
1626. Inopina multa vera fiunt saepius. [Schottus, Adagia 605] Na maioria das vezes o inesperado acontece. ■Quando menos se espera, salta a lebre. VIDE: ●Insperata saepe contingunt. ●Insperata accidunt magis saepe quam quae speres.
1627. Inopinatus eventus quem nullum consilium providere potest et cui resisti non potest. [Jur] Fato imprevisto é aquele que nenhuma prudência humana pode prever e a que não se pode resistir.
1628. Inops audacia tuta est. [Petrônio, Satiricon 119] A audácia que nada tem está em segurança. ■Quem nada tem nada teme.
1629. Inops, potentem dum vult imitari, perit. [Fedro, Fabulae 2.21.1] O pobre se perde, quando quer imitar o poderoso. ■Pobre que arremeda rico morre aleijado. VIDE: ●Potentes ne tentes aemulari.
1630. Inque brevi spatio mutantur saecla animantium, et, quasi cursores, vitae lampada tradunt. [Lucrécio, De Rerum Natura 2.78] Em pouco tempo transformam-se as vidas dos homens, e, como os corredores, entregam a tocha da vida.
1631. Inquieta est semper dominandi libido. É sempre inquieto o desejo de dominar.
1632. Inquieta inertia. Um descanso desassossegado.
1633. Inquietum est cor nostrum, donec requiescat in Te. [S.Agostinho, Confessiones 1.1.1] Está desassossegado o meu coração, enquanto não encontra descanso em Ti.
1634. Insalutato hospite. [Rezende 2742] (Sair) sem cumprimentar o dono da casa. ■Sair à francesa. ●Insalutato hospite abiit. Saiu sem cumprimentar o dono da casa. VIDE: ●Hospite insalutato.
1635. Insanabile cacoëthes scribendi. [Juvenal, Satirae 7.51] A incurável paixão de escrever.
1636. Insania non omnibus eadem. [Erasmo, Adagia 3.10.97] Nem todos têm a mesma mania. ■Cada doido com sua mania. VIDE: ●Furor est non omnibus idem. ●Furor est haud omnibus idem. ●Haud est eadem vesania cunctis.
1637. Insanire cum insanientibus. [Erasmo, Adagia 4.7.14; Albertatius 619] Entre loucos, fazer-se de louco. ■Em Roma, como os romanos. ■Em terra de sapos, de cócoras com eles. VIDE: ●Cum aegrotis insanire pulchrum est. ●Necesse cum insanientibus furere. ●Necesse est cum insanientibus furere, nisi solus relinqueris. ●Qui cum insanis non insanit, is insanit.
1638. Insanire facit sapientes copia vini. [Schottus, Adagia 585] A abundância de vinho faz os sábios perderem o juízo. ■Onde entra o beber, sai o saber. ●Insanire facit sanos quoque copia vini. [Binder, Thesaurus 1520] Muito vinho faz até os ajuizados perderem o juízo. VIDE: ●Cum vinum intrat, exit sapientia. ●Dum vinum intrat, exit sapientia. ●Vino intrante, foras subito sapientia vadit.
1639. Insanis, Paule: multae te litterae ad insaniam convertunt. [Vulgata, Atos 26.24] Estás louco, Paulo: o muito estudo te leva à loucura.
1640. Insaniunt omnes praeter sapientem. [Máxima dos estóicos / Stevenson 1499] Todos perdem o juízo, com exceção do sábio.
1641. Insano nemo in amore videt. [Propércio, Elegiae 2.14.17] No louco amor ninguém enxerga nada.
1642. Insanum vita, stimulatumque effuge taurum. [Pereira 95] Foge do louco e corre do touro ferido. ■Ao doido e ao touro, dá-lhe curro.
1643. Insanus est qui, abiecta ratione, omnia cum impetu et furore facit. [Jur / Coke / Black 982] Insano é aquele que, abandonando a razão, faz tudo com violência e fúria.
1644. Insanus lapides verbaque dura iacit. [Pereira 101] O louco atira pedras e palavras duras. ■De doido, pedrada ou má palavra.
1645. Insanus omnis furere credit ceteros. [Publílio Siro] Todo maluco acredita que os outros são malucos. ■Cada um julga os outros por si. ■O ladrão cuida que todos o são.
1646. Insciens et imprudens. Sem saber e desprevenido.
1647. Inscitia confidentiam parit. [Erasmo, Adagia 4.5.54] A ignorância gera confiança. ■Quanto mais parvo, mais confiado. ■Doce é a guerra para quem não andou nela. VIDE: ●Inscitia mater arrogantiae. ●Imperitia confidentiam, eruditio timorem creat.
1648. Inscitia est adversum stimulum calces. [Terêncio, Phormio 77] É ignorância dar pontapés contra o aguilhão. VIDE: ●Adversus stimulos calces iaces. ●Calcitrare contra acumina. ●Contra stimulum calcitrare. ●Contra stimulos calces iacere. ●Durum est tibi contra stimulum calcitrare. ●Ne contra stimulum calcitres.
1649. Inscitia mater arrogantiae. [Binder, Thesaurus 1522] A ignorância é a mãe da arrogância. ■O ignorante a todos repreende e fala mais do que menos entende. VIDE: ●Inscitia confidentiam parit.
1650. Inscius imperii est, nescit qui ferre labores. [Pereira 119] ■Quem não sabe sofrer não sabe reger.
1651. Inscrutabile, iustum tamen Dei iudicium. É insondável, porém justo, o julgamento de Deus.
1652. Insectantur minora ubi maiora non suppetunt. Perseguem as coisas menores, quando não aparecem maiores. ■À mingua de pão, boas são as tortas.
1653. Insequeris, fugio; fugis, insequor: haec mihi mens est. [Marcial, Epigrammata 5.83] Tu me persegues, fujo; tu foges, eu te persigo: é assim meu coração.
1654. Insequitur dominum fluxa caterva suum. [Rezende 2752] A multidão vacilante acompanha seu senhor. ■Qual o rei, tal a grei. ■Qual é o cão, tal é o dono. ●Insequitur dominum fluxa caterva malum. [Pereira 118] A multidão inconstante acompanha o mau senhor.
1655. Insidiis novitas semper amica fuit. A novidade sempre foi amiga do engano.
1656. Insidiator iuste interficitur. É justo que se mate o que arma ciladas. ■A quem te quer jantar, almoça-o primeiro. ●Insidiatorem iure interfici posse. [Cícero, Pro Milone 10] Com razão, o traidor pode ser morto.
1657. Insidiator superatus est, vi victa vis, vel potius oppressa virtute audacia est. [Cícero, Pro Milone 11] O insidioso foi vencido, a força foi vencida por meio da força, ou melhor, a audácia foi esmagada pela coragem.
1658. Insidiatores viarum. [Jur / Black 982] Assaltantes de estradas.
1659. Insignis eorum est error qui malunt quae nesciunt docere quam discere quae ignorant. [Varrão, De Lingua Latina 9.1] É extraordinário o erro dos que preferem ensinar o que não sabem a aprender o que ignoram.
1660. Insipido praestat sapiens inimicus amico. [Binder, Thesaurus 1523] Mais vale inimigo sábio que amigo ignorante.
1661. Insipiens esto, cum tempus postulat aut res: stultitiam simulare loco prudentia summa est. [Dionísio Catão, Disticha 2.18] Sê louco quando o tempo ou as circunstâncias o exigirem: simular burrice na hora certa é alta sabedoria. ■Fazer-se de parvo para não remar. ■Não te esqueças de ser louco no tempo e lugar que cabe: quem faz então que não sabe, por certo não sabe pouco. [Bernardes, Nova Floresta] VIDE: ●Stultitiam simulare loco sapientia summa est.
1662. Insipiens tu qui merces congregas in saccum pertusum. [S.Bernardo / Rezende 2755] És insensato, tu que juntas tuas economias em saco roto.
1663. Insipientis inest maior iactantia menti. [Buchanan / Noel 479] No coração do ignorante há maior presunção. ■O ignorante é sempre o que mais fala.
1664. Insita hominibus libido alendi de industria rumores. [Tito Lívio, Ab Urbe Condita 28.24] A tendência inata aos homens de intencionalmente alimentar boatos.
1665. Insita nobis nostri caritas est corporis. [Publílio Siro] É inato em nós o amor pelo nosso corpo.
1666. Insociabile est regnum. [Quinto Cúrcio, Historiae 10.9] O governo é indivisível. ■Mandar não quer par. VIDE: ●Idem regnum non fert duos tyrannos.
1667. Insolens est beata uxor. Mulher rica é arrogante. ■Em casa de mulher rica, ela manda, ela grita.
1668. Insperata saepe contingunt. O inesperado muitas vezes acontece. ■Quando menos se espera, salta a lebre. ●Insperata accidunt magis saepe quam quae speres. [Plauto, Mostellaria 193] Com mais freqüência do que se espera acontece o inesperado. VIDE: ●Inopina multa vera fiunt saepius.
1669. Inspice bis potum, et chartam subscribe scienter. [Pereira 111] Olha duas vezes a bebida, e só assina documento cujo conteúdo conheças. ■Não bebas coisa que não vejas, nem assines carta que não leias. ■Não se bebe sem ver, nem se assina sem ler.
1670. Insta opportune, importune. [Vulgata, 2Timóteo 4.2] Insiste a tempo e fora de tempo.
1671. Instanter facias, sors quae tibi tradat agenda. [Columbano] Faze solicitamente as tarefas que a sorte te entregar.
1672. Instantia est mater doctrinae. A aplicação é a mãe da ciência.
1673. Instar aquae tempus. [DAPR 361] O tempo é como água. ■O tempo e a hora não se atam com a soga. ■Chuva e maré nunca espera.
1674. Instar montis equum aedificant. [Virgílio, Eneida 2.15] Constroem um cavalo do tamanho de um morro. (=É o cavalo de Tróia).
1675. Instar omnium. Como toda gente. Como toda gente faz. Como todo mundo.
1676. Instar sacrilegii est de potestate principis disputare. [VES 46] Equivale a um sacrilégio disputar o poder do príncipe.
1677. Instauratio facienda ab imis fundamentis. [Bacon, Novum Organum, Aphorismi de Interpretatione Naturae 1.32] A reconstrução deve ser feita a partir dos mais profundos alicerces.
1678. Instillat clero iuges ecclesia nummos. [Pereira 123] A igreja goteja dinheiro constante para o clero. ■Telha de igreja sempre goteja.
1679. Instituendi sunt cuiusque generis amici. [Cícero, De Petitione Consulatus 5] Devem-se granjear amigos de todas as classes sociais.
1680. Instituta vitae. [Cícero, Tusculanae Disputationes 1.2] Regras de vida. Regras de conduta.
1681. Instructa inopia est in divitiis cupiditas. [Publílio Siro] Ambição no meio de riquezas não passa de pobreza bem equipada.
1682. Instruit insidias lacrimis, cum femina plorat. [Dionísio Catão, Disticha 3.20] A mulher, ao chorar, prepara armadilhas com suas lágrimas. ■Lágrimas de mulher, fonte de malícia. VIDE: ●Lacrimis struit insidias, cum femina plorat. ●Struit insidias lacrimis cum femina plorat.
1683. Instrumenta declarant artificem. As ferramentas revelam o operário. ■Mão de mestre não suja ferramenta.
1684. Instrumenta sceleris. [Jur] Os instrumentos do crime.
1685. Instrumentum imperii. Um instrumento de governo. O instrumento do poder. ●Instrumentum regni. ●Instrumentum ad tutelam regni. Um instrumento para a proteção do reino.
1686. Intacta invidia media sunt. [Tito Lívio, Ab Urbe Condita 45.35] A mediocridade escapa da inveja. ■A inveja sempre atina lugares altos.
1687. Integer vitae scelerisque purus. [Horácio, Carmina 1.22.1] Íntegro de vida e limpo de culpa.
1688. Integra mens augustissima possessio. A mente íntegra é o bem mais valioso.
1689. Integra omnia habere. [DAPR 472] Ter tudo só para si. Fazer tudo sozinho. ■Assobiar e chupar cana.
1690. Integros haurire fontes. Beber de fontes puras.
1691. Intellectus absurdus est vitandus. [Jur] Deve ser evitada interpretação absurda.
1692. Intellectus merces est fidei. [S.Agostinho, In Ioannis Evangelium 29.6] A compreensão é a recompensa da fé.
1693. Intellectus natus est ad omnia intellegenda. O intelecto foi criado para entender todas as coisas.
1694. Intellege ut credas. Compreende para creres. VIDE: ●Crede ut intellegas. ●Credimus enim ut cognoscamus, non cognoscimus ut credamus. ●Credo ut intellegam, non intellego ut credam. ●Si non credideritis, non intellegetis. ●Neque enim quaero intellegere, ut credam, sed credo ut intellegam. ●Si non potes intellegere, crede ut intellegas. ●Praecedit fides, sequitur intellectus.
1695. Intellegenti satis dictum est. [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 4.34.5] A quem entende uma palavra basta. ■A bom entendedor meia palavra basta. ■Para o bom entendedor meia palavra basta. ■Para quem sabe ler pingo é letra. ●Intellegenti pauca. [DAPR 281] A quem entende bastam poucas palavras. VIDE: ●Cum sapiente loquens perpaucis utere verbis. ●Dictum sapienti sat est. ●Est satis atque superest verbum sapientibus unum. ●Et satis et superest verbum sapientibus unum. ●Sapienti dictum sat est. ●Sapienti pauca. ●Sapienti sat! ●Strenuis abunde dictum puta. ●Verbum sapienti sat est. ●Verbum sat sapienti.
1696. Intellegentia deest ubi dominatur passio. Falta compreensão quando domina a paixão.
1697. Intellegis me esse philosophum? Intellexeram, si tacuisses. [Boécio, De Consolatione Philosophiae 2.6] Não percebes que sou um filósofo? Eu teria percebido, se tivesses ficado calado. ■Tolo calado passa por avisado. ■Burro calado por sábio é contado. VIDE: ●Dum tacet insipiens, sapiens tantisper habetur. ●Est tacens qui invenitur sapiens. ●Quando tacet stolidus, prudenti corde putatur. ●Sapiens est, qui tacere novit. ●Si tacuisses, philosophus mansisses. ●Sile et philosophus esto. ●Stultitiam dissimulare non potes, nisi taciturnitate. ●Stultus quoque si tacuerit, sapiens reputabitur. ●Stultus tacebit: pro sapiente habebitur. ●Taciturnitas stulto homini pro sapientia. ●Tunc sapient stolidi, cum fuerint taciti.
1698. Intellegunt se mutuo, ut fures in nundinis. [Grynaeus 776] Eles se entendem, como ladrões na feira.
1699. Intemperans risus grave est homini malum. [Schottus, Adagia 607] Um riso descontrolado é mal grave para o homem. ■Muito riso, pouco siso.
1700. Intemperantia medicorum nutrix. [Binder, Thesaurus 1529] É a intemperança que alimenta os médicos. ■Cozinha refinada leva à farmácia. VIDE: ●Medicorum nutrix est intemperantia.
1701. Intemperantia omnium perturbationum mater est. [Cícero, Academica 1.10] A intemperança é a mãe de todas as paixões.
1702. Intempestiva benevolentia nihil a simultate differt. [Erasmo, Adagia 1.7.69] A benevolência fora de tempo em nada difere da inimizade. ■Ajuda de mais atrapalha. ■Muito ajuda quem não atrapalha. ●Intempestiva benevolentia nihil a simulata differt. A benevolência fora de hora em nada difere da benevolência fingida. VIDE: ●Amare inepte nil ab odio discrepat. ●Beneficus importunus hoste non minus. ●Benevolentia importuna non differt ab odio. ●Benevolentia importuna nihil differt a simultate. ●Importuna benevolentia nihil ab odio differt. ●Importuna benevolentia nihil ab inimicitia distat. ●Nil moror officium quod me gravat. ●Par odio importuna benevolentia. ●Par odio simulata benevolentia.
1703. Intendere actionem perduellionis. [Cícero, Pro Milone 36] Acusar de crime de alta traição.
1704. Intensus arcus nimium facile rumpitur. [Publílio Siro] Arco excessivamente esticado facilmente se quebra. ■Arco muito retesado é arco quebrado. ■Nem tanto puxar que se quebre a corda. ■Arco sempre armado, ou frouxo ou quebrado. VIDE: ●Absque modo tractus saepe frangitur arcus. ●Arcum nimia frangit intentio. ●Arcus nimis intensus rumpitur. ●Arcus qui nimis intenditur, rumpitur. ●Arcus tensus saepius rumpitur. ●Arcus, si nunquam cesses tendere, mollis erit. ●Cito rumpes arcum, semper si tensum habueris; at si laxaris, cum voles, erit utilis.
1705. Intentio inservire debet legibus, non leges intentioni. [Jur / Black 993] A vontade das partes deve submeter-se às leis, e não as leis à vontade das partes.
1706. Intentio legis. [Jur] A intenção da lei.
1707. Intentio litis. [Jur] A intenção do processo.
1708. Inter alia. Entre outras coisas.
1709. Inter alios. [Jur / Black 904] Entre outros. (=Entre pessoas estranhas à questão).
1710. Inter alios acta vel iudicata aliis non nocere. [Codex Iustiniani 7.60.0] Coisas decididas ou julgadas entre uns não prejudicam a outros. VIDE: ● Res inter alios acta alteri nocere non debet. ●Res inter alios acta aliis nocere non potest.
1711. Inter amicos non esto iudex. [Rezende 2788] Entre amigos não sejas juiz. VIDE: ●Ne sis amicos inter arbiter duos.
1712. Inter amicos quam inimicos iudices molestius. [Publílio Siro] Julgar entre amigos é mais desagradável que entre inimigos.
1713. Inter arma. Entre armas. Na guerra.
1714. Inter arma caritas. [Divisa da Cruz Vermelha] Entre armas o amor ao próximo.
1715. Inter arma silent leges. [Black 994] Entre as armas as leis se calam. ■Onde força há, direito se perde. ■Quando se afia o aço, guarda-se o tinteiro. VIDE: ●Leges bello siluere coactae. ●Leges bello coactae silent. ●Leges silent inter arma. ●Silent enim leges inter arma. ●Vi praesente nihil potest lex.
1716. Inter arma silent Musae. Calam-se as Musas entre as armas. ■Quando se afiam as espadas, guardam-se os tinteiros.
1717. Inter armorum strepitus verba iuris civilis exaudiri non possunt. [DAPR 401] Entre os estrondos das armas as palavras do direito do cidadão não podem ser ouvidas. ■Onde força há, direito se perde.
1718. Inter aspera viret virtus. A virtude verdeja entre espinhos. ■A virtude enverdece com a ferida.
1719. Inter bonos amicitia, inter malos factio est. [Salústio, Bellum Iugurthinum 31.4] O que entre homens honestos é amizade, entre desonestos se torna cumplicidade.
1720. Inter bonos bene agere oportet, et sine fraudatione. [Cícero, Topica 66] Entre homens de bem cabe agir honestamente, sem dolo.
1721. Inter caecos luscus rex. ■Em terra de cegos, o torto é rei. ■Em terra de cego, quem tem um olho é rei. ●Inter caecos monoculus rex. ●Inter caecos regnat luscus. [Sweet 97] ●Inter caecos regnat strabo. [Erasmo, Adagia 3.4.96] ●Inter caecos regnat strabus. [Medina 592] ●Inter caecos strabus rex est. [Schottus, Adagialia Sacra 86] ●Inter caecos unuoculus rex est. [Bebel, Adagia Germanica] VIDE: ●Apud caecos monoculus rex. ●Beati monoculi in regione caecorum. ●Beati monoculi in terra caecorum. ●Beatus monoculus in terra caecorum. ●Caecorum in patria luscus rex imperat omnis. ●In caecorum regno regnant strabones. ●In regione caecorum rex est luscus. ●In terra caecorum monoculus rex. ●Inter pygmaeos regnat nanus. ●Monoculus inter caecos rex.
1722. Inter caesa et porrecta. [Cícero, Ad Atticum 5.18] Entre a imolação e a colocação no altar do sacrifício. (=Na última hora. No momento de tomar decisão). ■Da mão à boca se perde a sopa. VIDE: ●Inter gladium et iugulum. ●Inter pontem et fontem. ●Misericordia Domini inter pontem et fontem.
1723. Inter calicem et os multa interveniunt. [Pereira 101] Entre o cálice e a boca muita coisa acontece. ■Entre a boca e a mão vai o bocado ao chão. ■Do prato à boca perde-se a sopa. ■De uma hora para outra cai a casa. ●Inter calicem et os multa cadunt. [DAPR 613] Entre o cálice e a boca muita coisa se perde. VIDE: ●De cocleare interdum cadit quod hianti porrigis ori. ●Inter manum et mentum multa cadunt. ●Inter os et offam multa cadunt. ●Inter os et offam multa intercedunt. ●Multa cadunt inter calicem supremaque labra. ●Multa cadunt inter calicem et suprema labra. ●Multa cadunt inter calicem et labra. ●Saepe audivi inter os et offam multa intervenire posse. ●Saepe inter buccam contingit casus, et offam. ●Saepe os inter et offam multa venire solent. ●Vel mille calamitates sunt inter calicem et labra.
1724. Inter canem et lupum. Entre o lobo e o cão. ■Estar entre a cruz e a caldeirinha. ■Se correr, o bicho pega, se ficar, o bicho come. ■Ficar entre dois fogos. ■Estar entre o martelo e a bigorna. (=Usa-se a expressão inter canem et lupum com o significado de crepúsculo, por ser o momento em que o cão procura o descanso, e o lobo, a sua presa). VIDE: ●A fronte praecipitium, a tergo lupi. ●A fronte praecipitium, a tergo lupus. ●Hac urget lupus, hac canis. ●Hac lupus, hac canis. ●Hac lupi, hac canes. ●Inter lupos et canes nullam salutem esse.
1725. Inter causas malorum nostrorum est, quod vivimus ad exempla. [Sêneca, Epistulae Morales 123] Uma das causas de nossos males é vivermos imitando os outros.
1726. Inter cetera mala, hoc quoque habet stultitia: semper incipit vivere. [Sêneca, Epitulae 13.16] Entre outros males, o tolo tem este especial: sempre começa a viver.
1727. Inter cetera vitia duo sunt divitibus valde inconvenientia: cupiditas et fallacia cupiditatis socia. [VES 99] Entre os demais defeitos dois são muito inconvenientes para os ricos: a cupidez e a deslealdade, que é companheira da cupidez.
1728.