DICIONÁRIO DE EXPRESSÕES E FRASES LATINAS

Compilado por HENERIK KOCHER

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I9: 1601-1800

1601. Iniuriarum remedium est oblivio. [Publílio Siro] O remédio das injustiças é o esquecimento. A maior vingança é o desprezo. Iniuriarum remedium est oblivium. VIDE: Magnanimo iniuriae remedium oblivio est. Remedium iniuriarum oblivio est.

1602. Iniuriarum vulnera, non curando, curantur. As feridas das injúrias curam-se por si, se com elas não nos preocupamos.

1603. Iniurium autem est ulcisci adversarios? aut qua via te captent, eadem ipsos capi? [Terêncio, Hecyra 72] Então é injusto vingar-se dos inimigos? Ou serem eles apanhados com as mesmas armadilhas com que eles te apanham?

1604. Iniussu populi. Sem o mandado do povo.

1605. Iniusta ab iustis impetrare non decet, iusta autem ab iniustis petere, insipientia est. [Plauto, Amphitruo 35] Conseguir coisas desonestas de pessoas honestas não é decente; e fazer pedidos honestos a pessoas desonestas é insensatez. VIDE: Iustum ab iniustis petere insipientia est.

1606. Iniusti autem disperibunt simul. [Vulgata, Salmos 36.38] Mas os injustos perecerão todos ao mesmo tempo.

1607. Iniustitia, seu iniuria, est voluntaria iuris alieni violatio, absque causa legitima. [Jur] A injustiça é a violação voluntária do direito alheio, sem causa legítima.

1608. Iniustum est gaudere velle cum gaudentibus et flere non velle cum flentibus. [S.Agostinho] É injusto querer alegrar-se com os que se alegram e não querer chorar com os que choram. Ri, e o mundo rirá contigo; chora, e chorarás sozinho. VIDE: Arridemus ridentibus et contristat nos turba maerentium. Gaudere cum gaudentibus, flere cum flentibus. Ridentibus arride. Ut ridentibus arrident, ita flentibus adsunt humani vultus. Ut ridentibus arrident, ita flentibus afflent.

1609. Iniustus, qui sola putat proba quae facit. [Dionísio Catão, Monosticha, Appendix 66] É injusto quem só considera bom o que ele mesmo faz.

1610. Innocens animus mihi, scelesta manus est. [Sêneca, Hercules Oetaeus 964] Meu coração é inocente, mas minha mão é criminosa.

1611. Innocens credit omni verbo; astutus considerat gressus suos. [Vulgata, Provérbios 14.15] O simples dá crédito a cada palavra, mas o prudente atenta para os seus passos.

1612. Innocens ego sum a sanguine iusti huius. [Vulgata, Mateus 27.24] Eu sou inocente do sangue deste justo.

1613. Innocens manibus et mundo corde (...). Hic accipiet benedictionem a Domino. [Vulgata, Salmos 23.4-5] O inocente de mãos e limpo de coração (...). Este receberá a bênção do Senhor.

1614. Innocentes pro nocentibus poenas pendunt. [César, De Bello Gallico 6.9] Os inocentes são enforcados em lugar dos culpados. Paga o justo pelo pecador. VIDE: Alius peccat, alius plectitur. Canis peccatum sus dependit. Faber cadit cum ferias fullonem. Fabrum caedere cum ferias fullonem. Ob textoris peccatum coquus vapulavit. Quod peccant sontes, insontes saepe luerunt. Quod peccant sontes, insontes saepe tulerunt. Quod sus peccavit, succula saepe luit. Tibicen vapulat, coquo peccante.

1615. Innocentia est eloquentia. [Pontanus / Stevenson 1248] Inocência é eloqüência. Homem honrado não há mister gabado.

1616. Innocue vivite: numen adest. [Ovídio, Ars Amatoria 640] Vivei sem fazer mal: a divindade é testemunha de vossos atos.

1617. Innocuos censura potest permittere lusus. [Marcial, Epigrammata 1.4.7] A censura pode permitir gracejos inocentes.

1618. Innocuus alium aspiciam meum habentem malum. [Aristóteles / Erasmo, Adagia 2.9.71] Olho outra pessoa a sofrer o meu mal, e eu não o sofro. Feliz aquele a quem as desgraças alheias tornam acautelado. VIDE: Indemnis spectabo alium mala nostra ferentem.

1619. Innumerabiles esse morbos non miraberis? Coquos numera! [Sêneca, Epistulae Morales 95.22] Não te espantes de que haja tantas doenças: conta os cozinheiros.

1620. Innumeras curas secum afferunt liberi. [Erasmo] Filhos trazem preocupações sem conta.

1621. Inopem me copia fecit. [Ovídio, Metamorphoses 3.466] A abundância me fez pobre. VIDE: Quod cupio mecum est, inopem me copia fecit.

1622. Inopem saturat providus ipse Deus. [Rezende 2709] Deus, que é próvido, alimenta ele mesmo o pobre. A quem nada tem, Deus o mantém.

1623. Inopi beneficium bis dat, qui dat celeriter. [Publílio Siro] Quem dá sem demora, favorece ao pobre em dobro. Mais vale um toma que dois te darei. Quem cedo dá, dá duas vezes. Dá duas vezes quem de pronto dá. Inopi beneficium bis dat, qui cito dat. VIDE: Beneficium celeritas gratius facit. Beneficium egenti bis dat, qui dat celeriter. Bis dat qui cito dat. Bis dat qui cito dat; nil dat qui munera tardat. Bis dat qui dat celeriter. Duplex fit bonitas, si simul accessit celeritas. Gratissima sunt beneficia, ubi nulla mora fuit. Plus dat qui in tempore dat. Plus dat qui tempore dat.

1624. Inopi nullus amicus. [Mota 167] O pobre não tem nenhum amigo. Pobre não tem amigo nem parente. Quem pobreza tem, dos parentes é desdém. VIDE: Pauper viduatur amicis. Paupertas nec ullos habet amicos.

1625. Inopiae desunt multa, avaritiae omnia. [Publílio Siro] Ao pobre falta muito; ao avarento, tudo. Inopiae desunt pauca, avaritiae omnia. [Binder, Thesaurus 1518] À pobreza falta um pouco, à avareza, tudo. VIDE: Desunt inopiae multa, avaritiae omnia. Maxima egestas avaritia. Tantalus sitit in undis, et avarus eget in opibus.

1626. Inopina multa vera fiunt saepius. [Schottus, Adagia 605] Na maioria das vezes o inesperado acontece. Quando menos se espera, salta a lebre. VIDE: Insperata saepe contingunt. Insperata accidunt magis saepe quam quae speres.

1627. Inopinatus eventus quem nullum consilium providere potest et cui resisti non potest. [Jur] Fato imprevisto é aquele que nenhuma prudência humana pode prever e a que não se pode resistir.

1628. Inops audacia tuta est. [Petrônio, Satiricon 119] A audácia que nada tem está em segurança. Quem nada tem nada teme.

1629. Inops, potentem dum vult imitari, perit. [Fedro, Fabulae 2.21.1] O pobre se perde, quando quer imitar o poderoso. Pobre que arremeda rico morre aleijado. VIDE: Potentes ne tentes aemulari.

1630. Inque brevi spatio mutantur saecla animantium, et, quasi cursores, vitae lampada tradunt. [Lucrécio, De Rerum Natura 2.78] Em pouco tempo transformam-se as vidas dos homens, e, como os corredores, entregam a tocha da vida.

1631. Inquieta est semper dominandi libido. É sempre inquieto o desejo de dominar.

1632. Inquieta inertia. Um descanso desassossegado.

1633. Inquietum est cor nostrum, donec requiescat in Te. [S.Agostinho, Confessiones 1.1.1] Está desassossegado o meu coração, enquanto não encontra descanso em Ti.

1634. Insalutato hospite. [Rezende 2742] (Sair) sem cumprimentar o dono da casa. Sair à francesa. Insalutato hospite abiit. Saiu sem cumprimentar o dono da casa. VIDE: Hospite insalutato.

1635. Insanabile cacoëthes scribendi. [Juvenal, Satirae 7.51] A incurável paixão de escrever.

1636. Insania non omnibus eadem. [Erasmo, Adagia 3.10.97] Nem todos têm a mesma mania. Cada doido com sua mania. VIDE: Furor est non omnibus idem. Furor est haud omnibus idem. Haud est eadem vesania cunctis.

1637. Insanire cum insanientibus. [Erasmo, Adagia 4.7.14; Albertatius 619] Entre loucos, fazer-se de louco. Em Roma, como os romanos. Em terra de sapos, de cócoras com eles. VIDE: Cum aegrotis insanire pulchrum est. Necesse cum insanientibus furere. Necesse est cum insanientibus furere, nisi solus relinqueris. Qui cum insanis non insanit, is insanit.

1638. Insanire facit sapientes copia vini. [Schottus, Adagia 585] A abundância de vinho faz os sábios perderem o juízo. Onde entra o beber, sai o saber. Insanire facit sanos quoque copia vini. [Binder, Thesaurus 1520] Muito vinho faz até os ajuizados perderem o juízo. VIDE: Cum vinum intrat, exit sapientia. Dum vinum intrat, exit sapientia. Vino intrante, foras subito sapientia vadit.

1639. Insanis, Paule: multae te litterae ad insaniam convertunt. [Vulgata, Atos 26.24] Estás louco, Paulo: o muito estudo te leva à loucura.

1640. Insaniunt omnes praeter sapientem. [Máxima dos estóicos / Stevenson 1499] Todos perdem o juízo, com exceção do sábio.

1641. Insano nemo in amore videt. [Propércio, Elegiae 2.14.17] No louco amor ninguém enxerga nada.

1642. Insanum vita, stimulatumque effuge taurum. [Pereira 95] Foge do louco e corre do touro ferido. Ao doido e ao touro, dá-lhe curro.

1643. Insanus est qui, abiecta ratione, omnia cum impetu et furore facit. [Jur / Coke / Black 982] Insano é aquele que, abandonando a razão, faz tudo com violência e fúria.

1644. Insanus lapides verbaque dura iacit. [Pereira 101] O louco atira pedras e palavras duras. De doido, pedrada ou má palavra.

1645. Insanus omnis furere credit ceteros. [Publílio Siro] Todo maluco acredita que os outros são malucos. Cada um julga os outros por si. O ladrão cuida que todos o são.

1646. Insciens et imprudens. Sem saber e desprevenido.

1647. Inscitia confidentiam parit. [Erasmo, Adagia 4.5.54] A ignorância gera confiança. Quanto mais parvo, mais confiado. Doce é a guerra para quem não andou nela. VIDE: Inscitia mater arrogantiae. Imperitia confidentiam, eruditio timorem creat.

1648. Inscitia est adversum stimulum calces. [Terêncio, Phormio 77] É ignorância dar pontapés contra o aguilhão. VIDE: Adversus stimulos calces iaces. Calcitrare contra acumina. Contra stimulum calcitrare. Contra stimulos calces iacere. Durum est tibi contra stimulum calcitrare. Ne contra stimulum calcitres.

1649. Inscitia mater arrogantiae. [Binder, Thesaurus 1522] A ignorância é a mãe da arrogância. O ignorante a todos repreende e fala mais do que menos entende. VIDE: Inscitia confidentiam parit.

1650. Inscius imperii est, nescit qui ferre labores. [Pereira 119] Quem não sabe sofrer não sabe reger.

1651. Inscrutabile, iustum tamen Dei iudicium. É insondável, porém justo, o julgamento de Deus.

1652. Insectantur minora ubi maiora non suppetunt. Perseguem as coisas menores, quando não aparecem maiores. À mingua de pão, boas são as tortas.

1653. Insequeris, fugio; fugis, insequor: haec mihi mens est. [Marcial, Epigrammata 5.83] Tu me persegues, fujo; tu foges, eu te persigo: é assim meu coração.

1654. Insequitur dominum fluxa caterva suum. [Rezende 2752] A multidão vacilante acompanha seu senhor. Qual o rei, tal a grei. Qual é o cão, tal é o dono. Insequitur dominum fluxa caterva malum. [Pereira 118] A multidão inconstante acompanha o mau senhor.

1655. Insidiis novitas semper amica fuit. A novidade sempre foi amiga do engano.

1656. Insidiator iuste interficitur. É justo que se mate o que arma ciladas. A quem te quer jantar, almoça-o primeiro. Insidiatorem iure interfici posse. [Cícero, Pro Milone 10] Com razão, o traidor pode ser morto.

1657. Insidiator superatus est, vi victa vis, vel potius oppressa virtute audacia est. [Cícero, Pro Milone 11] O insidioso foi vencido, a força foi vencida por meio da força, ou melhor, a audácia foi esmagada pela coragem.

1658. Insidiatores viarum. [Jur / Black 982] Assaltantes de estradas.

1659. Insignis eorum est error qui malunt quae nesciunt docere quam discere quae ignorant. [Varrão, De Lingua Latina 9.1] É extraordinário o erro dos que preferem ensinar o que não sabem a aprender o que ignoram.

1660. Insipido praestat sapiens inimicus amico. [Binder, Thesaurus 1523] Mais vale inimigo sábio que amigo ignorante.

1661. Insipiens esto, cum tempus postulat aut res: stultitiam simulare loco prudentia summa est. [Dionísio Catão, Disticha 2.18] Sê louco quando o tempo ou as circunstâncias o exigirem: simular burrice na hora certa é alta sabedoria. Fazer-se de parvo para não remar. Não te esqueças de ser louco no tempo e lugar que cabe: quem faz então que não sabe, por certo não sabe pouco. [Bernardes, Nova Floresta] VIDE: Stultitiam simulare loco sapientia summa est.

1662. Insipiens tu qui merces congregas in saccum pertusum. [S.Bernardo / Rezende 2755] És insensato, tu que juntas tuas economias em saco roto.

1663. Insipientis inest maior iactantia menti. [Buchanan / Noel 479] No coração do ignorante há maior presunção. O ignorante é sempre o que mais fala.

1664. Insita hominibus libido alendi de industria rumores. [Tito Lívio, Ab Urbe Condita 28.24] A tendência inata aos homens de intencionalmente alimentar boatos.

1665. Insita nobis nostri caritas est corporis. [Publílio Siro] É inato em nós o amor pelo nosso corpo.

1666. Insociabile est regnum. [Quinto Cúrcio, Historiae 10.9] O governo é indivisível. Mandar não quer par. VIDE: Idem regnum non fert duos tyrannos.

1667. Insolens est beata uxor. Mulher rica é arrogante. Em casa de mulher rica, ela manda, ela grita.

1668. Insperata saepe contingunt. O inesperado muitas vezes acontece. Quando menos se espera, salta a lebre. Insperata accidunt magis saepe quam quae speres. [Plauto, Mostellaria 193] Com mais freqüência do que se espera acontece o inesperado. VIDE: Inopina multa vera fiunt saepius.

1669. Inspice bis potum, et chartam subscribe scienter. [Pereira 111] Olha duas vezes a bebida, e só assina documento cujo conteúdo conheças. Não bebas coisa que não vejas, nem assines carta que não leias. Não se bebe sem ver, nem se assina sem ler.

1670. Insta opportune, importune. [Vulgata, 2Timóteo 4.2] Insiste a tempo e fora de tempo.

1671. Instanter facias, sors quae tibi tradat agenda. [Columbano] Faze solicitamente as tarefas que a sorte te entregar.

1672. Instantia est mater doctrinae. A aplicação é a mãe da ciência.

1673. Instar aquae tempus. [DAPR 361] O tempo é como água. O tempo e a hora não se atam com a soga. Chuva e maré nunca espera.

1674. Instar montis equum aedificant. [Virgílio, Eneida 2.15] Constroem um cavalo do tamanho de um morro. (=É o cavalo de Tróia).

1675. Instar omnium. Como toda gente. Como toda gente faz. Como todo mundo.

1676. Instar sacrilegii est de potestate principis disputare. [VES 46] Equivale a um sacrilégio disputar o poder do príncipe.

1677. Instauratio facienda ab imis fundamentis. [Bacon, Novum Organum, Aphorismi de Interpretatione Naturae 1.32] A reconstrução deve ser feita a partir dos mais profundos alicerces.

1678. Instillat clero iuges ecclesia nummos. [Pereira 123] A igreja goteja dinheiro constante para o clero. Telha de igreja sempre goteja.

1679. Instituendi sunt cuiusque generis amici. [Cícero, De Petitione Consulatus 5] Devem-se granjear amigos de todas as classes sociais.

1680. Instituta vitae. [Cícero, Tusculanae Disputationes 1.2] Regras de vida. Regras de conduta.

1681. Instructa inopia est in divitiis cupiditas. [Publílio Siro] Ambição no meio de riquezas não passa de pobreza bem equipada.

1682. Instruit insidias lacrimis, cum femina plorat. [Dionísio Catão, Disticha 3.20] A mulher, ao chorar, prepara armadilhas com suas lágrimas. Lágrimas de mulher, fonte de malícia. VIDE: Lacrimis struit insidias, cum femina plorat. Struit insidias lacrimis cum femina plorat.

1683. Instrumenta declarant artificem. As ferramentas revelam o operário. Mão de mestre não suja ferramenta.

1684. Instrumenta sceleris. [Jur] Os instrumentos do crime.

1685. Instrumentum imperii. Um instrumento de governo. O instrumento do poder. Instrumentum regni. Instrumentum ad tutelam regni. Um instrumento para a proteção do reino.

1686. Intacta invidia media sunt. [Tito Lívio, Ab Urbe Condita 45.35] A mediocridade escapa da inveja. A inveja sempre atina lugares altos.

1687. Integer vitae scelerisque purus. [Horácio, Carmina 1.22.1] Íntegro de vida e limpo de culpa.

1688. Integra mens augustissima possessio. A mente íntegra é o bem mais valioso.

1689. Integra omnia habere. [DAPR 472] Ter tudo só para si. Fazer tudo sozinho. Assobiar e chupar cana.

1690. Integros haurire fontes. Beber de fontes puras.

1691. Intellectus absurdus est vitandus. [Jur] Deve ser evitada interpretação absurda.

1692. Intellectus merces est fidei. [S.Agostinho, In Ioannis Evangelium 29.6] A compreensão é a recompensa da fé.

1693. Intellectus natus est ad omnia intellegenda. O intelecto foi criado para entender todas as coisas.

1694. Intellege ut credas. Compreende para creres. VIDE: Crede ut intellegas. Credimus enim ut cognoscamus, non cognoscimus ut credamus. Credo ut intellegam, non intellego ut credam. Si non credideritis, non intellegetis. Neque enim quaero intellegere, ut credam, sed credo ut intellegam. Si non potes intellegere, crede ut intellegas. Praecedit fides, sequitur intellectus.

1695. Intellegenti satis dictum est. [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 4.34.5] A quem entende uma palavra basta. A bom entendedor meia palavra basta. Para o bom entendedor meia palavra basta. Para quem sabe ler pingo é letra. Intellegenti pauca. [DAPR 281] A quem entende bastam poucas palavras. VIDE: Cum sapiente loquens perpaucis utere verbis. Dictum sapienti sat est. Est satis atque superest verbum sapientibus unum. Et satis et superest verbum sapientibus unum. Sapienti dictum sat est. Sapienti pauca. Sapienti sat! Strenuis abunde dictum puta. Verbum sapienti sat est. Verbum sat sapienti.

1696. Intellegentia deest ubi dominatur passio. Falta compreensão quando domina a paixão.

1697. Intellegis me esse philosophum? Intellexeram, si tacuisses. [Boécio, De Consolatione Philosophiae 2.6] Não percebes que sou um filósofo? Eu teria percebido, se tivesses ficado calado. Tolo calado passa por avisado. Burro calado por sábio é contado. VIDE: Dum tacet insipiens, sapiens tantisper habetur. Est tacens qui invenitur sapiens. Quando tacet stolidus, prudenti corde putatur. Sapiens est, qui tacere novit. Si tacuisses, philosophus mansisses. Sile et philosophus esto. Stultitiam dissimulare non potes, nisi taciturnitate. Stultus quoque si tacuerit, sapiens reputabitur. Stultus tacebit: pro sapiente habebitur. Taciturnitas stulto homini pro sapientia. Tunc sapient stolidi, cum fuerint taciti.

1698. Intellegunt se mutuo, ut fures in nundinis. [Grynaeus 776] Eles se entendem, como ladrões na feira.

1699. Intemperans risus grave est homini malum. [Schottus, Adagia 607] Um riso descontrolado é mal grave para o homem. Muito riso, pouco siso.

1700. Intemperantia medicorum nutrix. [Binder, Thesaurus 1529] É a intemperança que alimenta os médicos. Cozinha refinada leva à farmácia. VIDE: Medicorum nutrix est intemperantia.

1701. Intemperantia omnium perturbationum mater est. [Cícero, Academica 1.10] A intemperança é a mãe de todas as paixões.

1702. Intempestiva benevolentia nihil a simultate differt. [Erasmo, Adagia 1.7.69] A benevolência fora de tempo em nada difere da inimizade. Ajuda de mais atrapalha. Muito ajuda quem não atrapalha. Intempestiva benevolentia nihil a simulata differt. A benevolência fora de hora em nada difere da benevolência fingida. VIDE: Amare inepte nil ab odio discrepat. Beneficus importunus hoste non minus. Benevolentia importuna non differt ab odio. Benevolentia importuna nihil differt a simultate. Importuna benevolentia nihil ab odio differt. Importuna benevolentia nihil ab inimicitia distat. Nil moror officium quod me gravat. Par odio importuna benevolentia. Par odio simulata benevolentia.

1703. Intendere actionem perduellionis. [Cícero, Pro Milone 36] Acusar de crime de alta traição.

1704. Intensus arcus nimium facile rumpitur. [Publílio Siro] Arco excessivamente esticado facilmente se quebra. Arco muito retesado é arco quebrado. Nem tanto puxar que se quebre a corda. Arco sempre armado, ou frouxo ou quebrado. VIDE: Absque modo tractus saepe frangitur arcus. Arcum nimia frangit intentio. Arcus nimis intensus rumpitur. Arcus qui nimis intenditur, rumpitur. Arcus tensus saepius rumpitur. Arcus, si nunquam cesses tendere, mollis erit. Cito rumpes arcum, semper si tensum habueris; at si laxaris, cum voles, erit utilis.

1705. Intentio inservire debet legibus, non leges intentioni. [Jur / Black 993] A vontade das partes deve submeter-se às leis, e não as leis à vontade das partes.

1706. Intentio legis. [Jur] A intenção da lei.

1707. Intentio litis. [Jur] A intenção do processo.

1708. Inter alia. Entre outras coisas.

1709. Inter alios. [Jur / Black 904] Entre outros. (=Entre pessoas estranhas à questão).

1710. Inter alios acta vel iudicata aliis non nocere. [Codex Iustiniani 7.60.0] Coisas decididas ou julgadas entre uns não prejudicam a outros. VIDE: Res inter alios acta alteri nocere non debet. Res inter alios acta aliis nocere non potest.

1711. Inter amicos non esto iudex. [Rezende 2788] Entre amigos não sejas juiz. VIDE: Ne sis amicos inter arbiter duos.

1712. Inter amicos quam inimicos iudices molestius. [Publílio Siro] Julgar entre amigos é mais desagradável que entre inimigos.

1713. Inter arma. Entre armas. Na guerra.

1714. Inter arma caritas. [Divisa da Cruz Vermelha] Entre armas o amor ao próximo.

1715. Inter arma silent leges. [Black 994] Entre as armas as leis se calam. Onde força há, direito se perde. Quando se afia o aço, guarda-se o tinteiro. VIDE: Leges bello siluere coactae. Leges bello coactae silent. Leges silent inter arma. Silent enim leges inter arma. Vi praesente nihil potest lex.

1716. Inter arma silent Musae. Calam-se as Musas entre as armas. Quando se afiam as espadas, guardam-se os tinteiros.

1717. Inter armorum strepitus verba iuris civilis exaudiri non possunt. [DAPR 401] Entre os estrondos das armas as palavras do direito do cidadão não podem ser ouvidas. Onde força há, direito se perde.

1718. Inter aspera viret virtus. A virtude verdeja entre espinhos. A virtude enverdece com a ferida.

1719. Inter bonos amicitia, inter malos factio est. [Salústio, Bellum Iugurthinum 31.4] O que entre homens honestos é amizade, entre desonestos se torna cumplicidade.

1720. Inter bonos bene agere oportet, et sine fraudatione. [Cícero, Topica 66] Entre homens de bem cabe agir honestamente, sem dolo.

1721. Inter caecos luscus rex. Em terra de cegos, o torto é rei. Em terra de cego, quem tem um olho é rei. Inter caecos monoculus rex. Inter caecos regnat luscus. [Sweet 97] Inter caecos regnat strabo. [Erasmo, Adagia 3.4.96] Inter caecos regnat strabus. [Medina 592] Inter caecos strabus rex est. [Schottus, Adagialia Sacra 86] Inter caecos unuoculus rex est. [Bebel, Adagia Germanica] VIDE: Apud caecos monoculus rex. Beati monoculi in regione caecorum. Beati monoculi in terra caecorum. Beatus monoculus in terra caecorum. Caecorum in patria luscus rex imperat omnis. In caecorum regno regnant strabones. In regione caecorum rex est luscus. In terra caecorum monoculus rex. Inter pygmaeos regnat nanus. Monoculus inter caecos rex.

1722. Inter caesa et porrecta. [Cícero, Ad Atticum 5.18] Entre a imolação e a colocação no altar do sacrifício. (=Na última hora. No momento de tomar decisão). Da mão à boca se perde a sopa. VIDE: Inter gladium et iugulum. Inter pontem et fontem. Misericordia Domini inter pontem et fontem.

1723. Inter calicem et os multa interveniunt. [Pereira 101] Entre o cálice e a boca muita coisa acontece. Entre a boca e a mão vai o bocado ao chão. Do prato à boca perde-se a sopa. De uma hora para outra cai a casa. Inter calicem et os multa cadunt. [DAPR 613] Entre o cálice e a boca muita coisa se perde. VIDE: De cocleare interdum cadit quod hianti porrigis ori. Inter manum et mentum multa cadunt. Inter os et offam multa cadunt. Inter os et offam multa intercedunt. Multa cadunt inter calicem supremaque labra. Multa cadunt inter calicem et suprema labra. Multa cadunt inter calicem et labra. Saepe audivi inter os et offam multa intervenire posse. Saepe inter buccam contingit casus, et offam. Saepe os inter et offam multa venire solent. Vel mille calamitates sunt inter calicem et labra.

1724. Inter canem et lupum. Entre o lobo e o cão. Estar entre a cruz e a caldeirinha. Se correr, o bicho pega, se ficar, o bicho come. Ficar entre dois fogos. Estar entre o martelo e a bigorna. (=Usa-se a expressão inter canem et lupum com o significado de crepúsculo, por ser o momento em que o cão procura o descanso, e o lobo, a sua presa). VIDE: A fronte praecipitium, a tergo lupi. A fronte praecipitium, a tergo lupus. Hac urget lupus, hac canis. Hac lupus, hac canis. Hac lupi, hac canes. Inter lupos et canes nullam salutem esse.

1725. Inter causas malorum nostrorum est, quod vivimus ad exempla. [Sêneca, Epistulae Morales 123] Uma das causas de nossos males é vivermos imitando os outros.

1726. Inter cetera mala, hoc quoque habet stultitia: semper incipit vivere. [Sêneca, Epitulae 13.16] Entre outros males, o tolo tem este especial: sempre começa a viver.

1727. Inter cetera vitia duo sunt divitibus valde inconvenientia: cupiditas et fallacia cupiditatis socia. [VES 99] Entre os demais defeitos dois são muito inconvenientes para os ricos: a cupidez e a deslealdade, que é companheira da cupidez.

1728.