DICIONÁRIO DE EXPRESSÕES E FRASES LATINAS
Compilado por HENERIK KOCHER
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A B C D E F G H I L M N O P Q R S T U VZ
O1: 1-200
1. O altitudo! Ó profundeza! (=Citam-se essas palavras a propósito de um mistério insondável). ●O altitudo divitiarum sapientiae, et scientiae Dei: quam incomprehensibilia sunt iudicia eius, et investigabiles viae eius! [Vulgata, Romanos 11.33] Ó profundidade das riquezas da sabedoria e da ciência de Deus! Quão incompreensíveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!
2. O amoris vim! Ó força do amor!
3. O beata sanitas! te praesente amoenum ver floret gratiis; absque te nemo beatus. [Robert Burton, The Anatomy of Melancholy] Ó bendita saúde! Contigo a amena primavera floresce com suas belezas; sem ti, ninguém é feliz.
4. O beata solitudo, o sola beatitudo! [Divisa de S.Bernardo de Clairvaux] Ó abençoada solidão, ó única bem-aventurança! VIDE: ●O solitudo, sola beatitudo!
5. O caecitatem mentis humanae! [Erasmo, Chiliades Proverbiorum, Dulce Bellum] Ó cegueira do espírito humano!
6. O causidici, venale genus! [Sêneca, Apocolocyntosis 12] Ó causídicos, raça venal!
7. O cives, cives, quaerenda pecunia primum est: virtus post nummos! [Horácio, Epistulae 1.1.53] Ó cidadãos, cidadãos, deve-se primeiro buscar o dinheiro: a virtude vem depois do dinheiro! VIDE: ●Virtus post nummos. ●Virtus post nummos, quaerenda pecunia primum.
8. O crux, ave, spes unica! [Do hino católico Vexilla Regis] Salve, ó cruz, nossa única esperança! VIDE: ●Crux spes unica.
9. O Cupido, quantus es! [Plauto, Mercator 846] Ó Cupido, como és poderoso!
10. O curas hominum! O quantum est in rebus inane! [Pérsio, Satirae 1.1] Oh! cuidados do homem! Oh! quanta futilidade há nas coisas humanas!
11. O di, reddite mi hoc pro pietate mea. [Catulo, Carmina 76.26] Ó deuses, concedei-me isso em troca de minha devoção.
12. O di, si vestrum est misereri, me miserum aspicite. [Catulo, Carmina 76.17] Ó deuses, se vós sois capazes de ter compaixão, olhai este sofredor.
13. O diem laetum, notandumque mihi candidissimo calculo! [Plínio Moço, Epistulae 6.11.3] Ó dia feliz, que merece ser marcado por mim com uma pedra muito branca!
14. dii immortales! [Cícero, In Catilinam 1.4] Ó deuses imortais!
15. O dives, dives, non omni tempore vives! [Eiselein 526] Ó rico, ó rico, não viverás sempre! ■Tanto morre o papa como quem não tem capa.
16. O dulce otium, honestumque, ac paene omni negotio pulchrius. [Plínio Moço, Epistulae 1.9.6] Ó doce e honesto ócio! mais belo, talvez, do que toda atividade.
17. O dulce tormentum, ubi reprimitur gaudium! [Publílio Siro] Como é doce o sofrimento quando o prazer é retardado! ■O melhor da festa é esperar por ela.
18. O dulces comitum valete coetus. [Catulo, Carmina 46.9] Adeus, ó doces reuniões de amigos. VIDE: ●Coetus dulces, valete.
19. O durum iter! Que caminho difícil!
20. O facunde senex, aevi prudentia nostri! [Ovídio, Metamorphoses 12.178] Ó eloqüente ancião, prudência de nosso tempo!
21. O fallacem hominum spem! [Cícero, De Oratore 3.2] Oh! como é enganadora a esperança dos homens! ■Quem espera desespera.
22. O fallax amor! [Sêneca, Hippolytus 633] Ó pérfido amor!
23. O fallax rerum copia! [VES 92] Ó enganadora abundância!
24. O fama ingens, ingentior armis. [Virgílio, Eneida 11.124] Que prestígio enorme, maior do que as armas.
25. O felix culpa, quae talem ac tantum meruit habere redemptorem! [S.Agostinho / Bernardes, Nova Floresta 2.61] Ó erro abençoado, que mereceu ter tal e tão grande redentor! (=O autor se refere ao pecado original).
26. O felix hominum genus, si vestros animos amor quo caelum regitur regat! [Boécio, De Consolatione Philosophiae, Metrum 2.8.28] Como serás feliz, ó raça humana, se governar teu coração o amor por que se governa o céu!
27. O feros animos! [RH 4.12] Ó corações selvagens!
28. O fili care, noli nimis alte volare. [Werner / Sweet 263] Ó filho querido, não voes alto demais. (=Segundo a mitologia grega, palavras de Dédalo ao filho Ícaro, quando voavam com asas fixadas com cera). ■Não estendas as pernas além do cobertor. ■Não vás com muita sede ao pote. VIDE: ●Noli nimis alte volare.
29. O filii et filiae! Ó filhos e filhas!
30. O formose puer, nimium ne crede colori. [Virgílio, Eclogae 2.17] Ó belo rapaz, não confies demais na cor. VIDE: ●Nimium ne crede colori.
31. O formosum spectaculum! [Sêneca, De Ira 5.4] Que belo espetáculo!
32. O fortuna, nunquam perpetua es data! [Terêncio, Hecyra 405] Ó sorte, nunca és dada para sempre!
33. O fortuna, ut nunquam perpetuo es bona! [Terêncio, Hecyra 406] Ó sorte, como nunca és boa para sempre!
34. O fortuna viris invida fortibus, quam non aequa bonis praemia dividis! [Sêneca, Hercules Furens 524] Ó sorte, tu que invejas os homens valentes, como distribuis injustamente tuas recompensas aos homens de bem!
35. O fortunatam rempublicam! [Cícero, In Catilinam 2.7] Ó nação afortunada!
36. O fortunatissimi parentes! [Salvador Fernandes / Ramalho 100] Ó pais muito afortunados!
37. O fortunatos nimium, sua si bona norint, agricolas. [Virgílio, Georgica 2.458] Ó afortunadíssimos agricultores, se conhecessem os bens que têm. VIDE: ●Non est beatus, esse qui se nesciat. ●Non est beatus ipse qui se nesciat.
38. O generatio incredula. [Vulgata, Marcos 9.19] Ó geração incrédula.
39. O gens infortunata! cui morti reservat te fortuna! Ó raça infeliz! A que morte a sorte te reserva! VIDE: ●Infelix! cui te exitio fortuna reservat!
40. O hebetudo et duritia cordis humani, quod solum praesentia meditatur, et futura non magis praevidet! [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 1.23.1] Ó estupidez e dureza do coração humano, que só medita no presente, e não prevê o futuro!
41. O hominem mille mortibus dignum! [Sêneca, De Clementia 1.18.2] Ó homem digno de mil mortes!
42. O hominem miserandum! Pobre homem!
43. O hominem nequam! [Cícero, Philippica 2.77] Que homem desprezível!
44. O hominis impudentem audaciam! [Terêncio, Heauton Timorumenos 313] Ó despudorada audácia do homem!
45. O imitatores, servum pecus! [Horácio, Epistulae 1.19.19] Ó imitadores, rebanho servil!
46. O invisibilis Conditor mundi, Deus! [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 4.1.5] Ó Deus, invisível Criador do mundo!
47. O Iuppiter! ubinam est fides? [Terêncio, Heauton Timorumenos 256] Ó Júpiter! Onde está a lealdade?
48. O Iuppiter, tantam esse in animo inscitiam? [Terêncio, Heauton Timorumenos 631] Ó Júpiter, pode haver tão grande tolice numa cabeça?
49. O laborum dulce lenimen medicumque. [Horácio, Carmina 1.32.14] Ó doce consolo e remédio dos sofrimentos.
50. O licentiam iocularem! [Cícero, De Fato 15] Oh! que audácia divertida!
51. O longum memoranda dies! [Estácio, Silvae 1.3.13] Ó dia inesquecível!
52. O luce magis dilecta sorori! [Virgílio, Eneida 4.31] Ó tu, que para tua irmã és mais querida que a luz!
53. O machinator fraudis, o scelerum artifex! [Sêneca, Troades 751] Ó maquinador de fraudes, o artesão de crimes!
54. O magna vis veritatis, quae contra hominum ingenia, calliditatem, sollertiam contraque fictas omnium insidias facile se per se ipsam defendat! [Cícero, Pro Caelio 26.63] Ó força poderosa da verdade, que se defende facilmente por si mesma das invenções dos homens, da astúcia, da habilidade, e das armadilhas inventadas por todos!
55. O magne Olympi rector et mundi artifex! Ó grande governador do Olimpo e criador do mundo! ●O magne Olympi rector et mundi arbiter. [Sêneca, Hercules Furens 205] Ó grande governador do Olimpo e juiz do mundo.
56. O magnos viros, qui fortunae succumbere nesciunt et adversas res suae virtutis experimenta faciunt! [Sêneca Retórico, Controversiae 4.6] Que grandes homens, esses que não sabem dobrar-se à sorte e fazem da adversidade a prova de seu valor!
57. O malum summum et acutissimum telum diaboli mulier! [S.João Crisóstomo, Homilia 14 / Rezende 4566] Oh! a mulher é o mal supremo e a mais aguda arma do diabo!
58. O me felicem! O nox mihi candida! [Propércio, Elegiae 2.15.1] Oh! Como sou feliz! Oh! Que noite de sorte!
59. O meae spes inanes! [Quintiliano, Institutio Oratoria 6.1.12] Ó minhas vãs esperanças!
60. O mentes amentes! [S.Agostinho, De Civitate Dei 1.33.1] Ó cabeças sem juízo!
61. O mihi praeteritos referat si Iuppiter annos! [Virgílio, Eneida 8.560] Oh! Se Júpiter me trouxesse de volta os anos que se passaram!
62. O mirabilem sapientiam! [S.Agostinho, De Civitate Dei 8.21] Oh! Que admirável sabedoria!
63. O mirum gaudium! [Salvador Fernandes / Ramalho 102] Oh! que alegria de pasmar!
64. O miseras hominum mentes, o pectora caeca! [Lucrécio, De Rerum Natura 2.14] Ó espíritos vãos dos homens, ó corações cegos! VIDE: ●O vanae hominum mentes, o pectora caeca! ●O stultas hominum mentes, o pectora caeca!
65. O miserum bellum, dum tundit asellus asellum! [Gaal 384] O guerra infeliz, em que um burro melha outro! ■Arreda, orelhudo, diz o asno ao burro.
66. O mors amoris unum sedamen mali, o mors pudoris maximum laesi decus, confugimus ad te. [Sêneca, Hippolytus 1188] Ó morte, único alívio do amor infeliz, ó morte, único alívio da honra ultrajada, nós nos refugiamos em ti.
67. O mors, bonum est iudicium tuum homini indigenti, et qui minoratur viribus, defecto aetate, et cui de omnibus cura est, et incredibili, qui perdit patientiam! [Vulgata, Eclesiástico 41.3-4] Ó morte, que doce é a tua sentença para um homem necessitado, e que se acha falto de forças, para o de idade já decrépita, e para o que está cheio de cuidados, e para o que se vê sem esperança, e a quem falta a paciência!
68. O mors, cur mihi sera venis? [Propércio, Elegiae 2.13.50] Ó morte, por que demoras tanto?
69. O mors, quam amara est memoria tua homini pacem habenti in substantiis suis. [Vulgata, Eclesiástico 41.1] Ó morte, quão amarga é a tua memória para um homem que tem paz no meio das suas riquezas.
70. O mortalia nunquam gaudia plena satis! nunquam secura voluptas! [Jerônimo Vida] Ó prazeres mortais nunca suficientes! prazeres nunca livres de inquietações!
71. O necessitas abiecta nascendi, vivendi misera, dura moriendi. [Sidônio Apolinário, Epistulae 8.11.4] Ó necessidade abjecta de nascer, miserável de viver e cruel de morrer.
72. O nimium miserabilem errorem! [S.Agostinho, De Civitate Dei 1.3] Que erro lamentável!
73. O noctem illam memorabilem! Que noite memorável!
74. O nomen dulce libertatis! [Cícero, In Verrem 2.5.163] Ó doce nome da liberdade!
75. O nulla longi temporis felicitas! [Sêneca, Agamemnon 928] Ó felicidade efêmera!
76. O nummi, vobis hunc praestat honorem. [Juvenal, Satirae 5.136] Ó dinheiro, a ti se presta esta homenagem.
77. O nuntios tardos! o somniculosa diplomata! [Tertuliano, Apologeticus 25.2] Ó mensageiros vagarosos! Ó serviço postal sonolento!
78. O passi graviora, dabit deus his quoque finem. [Virgílio, Eneida 1.199] Ó vós, que suportartes coisas piores, o deus dará fim também a essas coisas. VIDE: ●Dabit deus his quoque finem.
79. O pessimum periclum, quod opertum latet! [Publílio Siro] Como é terrível o perigo que está escondido!
80. O praeclaram sapientiam! [Cícero, De Amicitia 13] Oh! Que inteligência brilhante!
81. O praeclarum custodem ovium lupum! [Cícero, Philippica 3.27] Ó lobo, ilustre guardião das ovelhas! VIDE: ●Vae miseris ovibus, iudex lupus est.
82. O pueriles ineptias! [Sêneca, Epistulae Morales 48.7] Oh! que infantilidades!
83. O quae mutatio rerum! Oh! Como mudam as coisas!
84. O quale caput, et cerebrum non habet! [Esopo / Apostólio 21.14] O que bela cabeça, mas não têm cérebro! (=Trata-se de uma máscara). VIDE: ●O quanta species... cerebrum non habet! ●O sine voce genas, o sine mente caput!
85. O quam bonum tempus in re mala perdis! [Sêneca, De Ira 3.28.1] Oh! quanto tempo bom perdes em assunto mau! VIDE: ●Quam bonum tempus in re mala perdis!
86. O quam cito transit gloria mundi! [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 1.3.30] Oh! como passa rápida a glória mundana! VIDE: ●Sic transit gloria mundi. ●Ut flatus venti, sic transit gloria mundi. ●Ut stuppae flamma, sic transit gloria mundi.
87. O quam dura premit miseros condicio vitae! [Maximiano, Elegiae 1] Oh! que dura condição de vida oprime os desgraçados!
88. O quam mirum est nescire mori! [Sêneca, Agamemnon 610] Oh! Como é triste não saber morrer!
89. O quam saepe e malis generatur origo bonorum! [Rutílio Namaciano, De Reditu Suo 1.491] Quantas vezes do infortúnio nasce a fonte da felicidade!
90. O quam varia sunt hominum studia! Oh! Como são variados os interesses dos homens! ■Cada um tem seus gostos. VIDE: ●Diversa sunt hominum studia.
91. O quanta est veterum blasphemia grammaticorum, qui declinandum nos docuere Deum! [John Owen, Epigrammata 7.107] Oh! como é grande a blasfêmia dos velhos gramáticos, que nos ensinaram que Deus deve ser declinado! (=O poeta joga com os significados do verbo declinare, que tanto pode ser usado em gramática, com o significado de declinar, isto é, flexionar substantivos, adjetivos e pronomes, como pode significar afastar, desviar).
92. O quanta fragilitas humana, quae semper prona est ad vitia! [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 1.22.30] Oh! como é grande a fragilidade humana, sempre inclinada ao pecado!
93. O quanta fuit tua stultitia! Como foi grande a tua insensatez!
94. O quanta species... cerebrum non habet! [Fedro, Fabulae 1.7.2] Oh! Que beleza... mas não tem cérebro! (=Trata-se de uma máscara). VIDE: ●O quale caput, et cerebrum non habet! ●O sine voce genas, o sine mente caput! ●Pulchra persona, sed cerebrum non habet.
95. O quanto priscis sunt nova grata magis! [Binder, Thesaurus 2331] Oh! Como as coisas novas são mais queridas que as antigas! ■Do que é novo gosta o povo.
96. O quantum cogit egestas! [Marcial, Epigrammata 11.87.3] A quanta coisa obriga a necessidade!
97. O quantum eruditorum aut modestia ipsorum aut quies operit ac subtrahit famae! [Plínio Moço, Epistulae 7.25.1] Oh! quantos homens cultos foram escondidos e roubados à glória pela própria modéstia ou pelo amor à tranqüilidade!
98. O quantum per se candida forma valet! [Propércio, Elegiae 2.29] Oh! quanto vale por si mesma uma beleza pura!
99. O quid solutis est beatius curis? [Catulo, Carmina 31.7] Que coisa mais feliz há do que viver sem cuidados?
100. O rectam sinceramque vitam! [Plínio Moço, Epistulae 1.9.6] Ó vida honesta e pura!
101. O rus, quando ego te aspiciam? [Horácio, Satirae 2.6.60] Ó campo, quando tornarei a ver-te?
102. O saeclum insipiens et inficetum! [Catulo, Carmina 43.8] Ó século ignorante e sem graça!
103. O saeculum! O litterae! Iuvat vivere. Vigent studia, florent ingenia. [Ulrich von Hutten] Ó tempos! Ó cultura! Dá prazer viver. Prosperam os estudos, florescem os talentos.
104. O saevum scelus! [Sêneca, Thyestes 743] Ó crime desumano!
105. O sancta simplicitas! Ó santa credulidade! (=Exclamação que teria sido proferida por João Huss, ao ver uma velhinha colocar um galho na fogueira onde ele ardia).
106. O semper timidum scelus! [Estácio, Thebaida 2.490] Oh! o crime é sempre medroso!
107. O si sic omnes! Oh! se todos fossem assim!
108. O si sic omnia! [Rezende 4722] Oh! se tudo fosse assim!
109. O si simplicior essem in mente, in corde, in ore, in opere, maiore utique fruerer pace, maiorem gustarem laetitiam! Oh! Se eu fosse mais simples na mente, no coração, na boca, nas obras, gozaria de maior paz, de maior alegria!
110. O sine voce genas, o sine mente caput! [Gualterius Anglicus, Fabulae Aesopicae 34.4] Ó rosto sem voz, ó cabeça sem cérebro! VIDE: ●O quale caput, et cerebrum non habet! ●O quanta species... cerebrum non habet!
111. O solitudo, sola beatitudo! Ó solidão, única felicidade! VIDE: ●O beata solitudo, o sola beatitudo!
112. O sortem acerbam! [Sêneca, Hercules Oetaeus 838] Ó sorte cruel!
113. O spes amantum credula! O fallax amor! [Sêneca, Hippolytus 634] Ó crédula esperança dos enamorados! Ó pérfido amor!
114. O stultas hominum mentes, o pectora caeca! [Lactâncio / Grynaeus, Adagia 627] Ó espíritos vãos dos homens, ó corações cegos! VIDE: ●O miseras hominum mentes, o pectora caeca! ●O vanae hominum mentes, o pectora caeca!
115. O summe parens mundi, Neptune! [Lucano, Bellum Civile 4.110] Ó Netuno, supremo pai do mundo!
116. O tacitum tormentum animi conscientia! [Publílio Siro] Ó remorso, és um tormento silencioso!
117. O te beatum! [Plínio Moço, Epistulae 8.13] Como és feliz!
118. O tempora! O mores! [Cícero, In Catilinam 1.2] Ó tempos! Ó costumes! (=Traduzido jocosamente por Ó tempo de amoras!)
119. O tempora tetra, quibus non boves sed asini arant! [Salvador Fernandes / Ramalho 98] Ó tempos negros, em que lavram burros e não bois!
120. O ter beata civitas! Ó cidade três vezes feliz!
121. O terque quaterque beati, quis ante ora patrum, Troiae sub moenibus altis contigit oppetere! [Virgílio, Eneida 1.94] Oh! foram três e quatro vezes felizes aqueles que tiveram a oportunidade de morrer sob os olhos de seus pais ao pé das altas muralhas de Tróia!
122. O Tite, tute, Tati, tibi tanta, tyranne, tulisti! [Ênio / RH 4.18] Ó imperador Tito Tácio, quanta coisa suportaste!
123. O ubi campi! [Virgílio, Georgica 2.486] Oh! Onde estão os campos?
124. O urbem venalem, et cito perituram, si emptorem invenerit! [Salústio, Bellum Iugurthinum 35.10] Oh! que cidade venal, e pronta para cair, se encontrasse um comprador!
125. O utinam! Quem me dera!
126. O vanae hominum mentes, o pectora caeca! [Lucrécio, De Natura Rerum 2.14] Ó espíritos vãos dos homens, ó corações cegos! VIDE: ●O miseras hominum mentes, o pectora caeca! ●O stultas hominum mentes, o pectora caeca!
127. O vane pudor, falsumque decus! [Sêneca, Hippolytus 987] Ó vão pudor! Ó glória falsa!
128. O virtutis comes invidia! [RH 4.36] Ó inveja, companheira do valor!
129. O vita misero longa, felici brevis! [Publílio Siro] Ó vida, para o infeliz és longa; para o afortunado, curta! ●O vitam misero longam, felici brevem!
130. O vitae philosophia dux, o virtutis indagatrix expultrix vitiorum! [Cícero, Tusculanae Disputationes 5.5] Ó filosofia, guia da vida, investigadora da virtude e perseguidora dos vícios!
131. O vos omnes qui transitis per viam, attendite, et videte si est dolor sicut dolor meus! [Vulgata, Lamentações 1.12] Ó vós, todos os que passais pelo caminho, atendei, e vede se há dor semelhante à minha dor!
132. Ob maritorum culpas uxores inquietari leges vetant. [Codex Iustiniani 4.12.2] As leis proíbem que as mulheres sejam perturbadas por causa dos crimes dos maridos.
133. Ob textoris erratum sartor vapulavit. [Eiselein 8] Pelo erro do tecelão foi açoitado o agricultor. ■Pelo mal do ferreiro matam o carpinteiro. ■Papagaio come milho, periquito leva a fama. ■Paga o justo pelo pecador. ●Ob textoris erratum coquus vapulavit. Pelo erro do tecelão foi açoitado o cozinheiro. Ob textoris peccatum coquus vapulavit. VIDE: ●Alius peccat, alius plectitur. ●Canis peccatum sus dependit. ●Faber cadit cum ferias fullonem. ●Fabrum caedere cum ferias fullonem. ●Innocentes pro nocentibus poenas pendunt. ●Quicquid coquus peccaverit, tibicen accipere solet plagas. ●Quod peccant sontes, insontes saepe luerunt. ●Quod peccant sontes, insontes saepe tulerunt. ●Quod sus peccavit, succula saepe luit. ●Tibicen vapulat, coquo peccante.
134. Ob unum punctum cecidit Martinus asellum. [Stevenson 934] ■Por um ponto, Martinho perdeu seu burro. ■Por um ponto perdeu o diabo o mundo. ■Por um cravo se perde o cavalo. ●Ob unum punctum perdit Martinus asellum. ●Ob unum caruit Robertus Asellum. VIDE: ●Pro solo puncto caruit Martinus asello. ●Uno pro puncto caruit Martinus asello.
135. Obcaecat mentem passio. ■Paixão cega a mente. ●A paixão é má conselheira.
136. Obest plerumque iis qui discere volunt auctoritas eorum qui docent. [Cícero, De Natura Deorum 1.10] A autoridade dos que ensinam na maioria das vezes prejudica aqueles que querem aprender.
137. Obicere canibus agnos. [Grynaeus 207; Erasmo, Adagia 2.9.73] Oferecer os cordeiros aos cães. VIDE: ●Canibus agnos obicere.
138. Obiectum controversiae. O objeto da controvérsia.
139. Obiectum iudicii. [Jur] A matéria em julgamento. VIDE: ●Materia iudicii.
140. Obiit. Morreu. (=Usado em túmulos, seguido da data do óbito).
141. Obiit sine prole. Faleceu sem deixar filhos.
142. Obiter dictum. [Black 1276] Coisa dita ocasionalmente. ■A propósito.
143. Obiter scripta. [George Santayana, título de livro] Coisas escritas de passagem.
144. Obiurgari in calamitate gravius est quam calamitas. [Publílio Siro] Ser censurado no insucesso é pior que o próprio insucesso.
145. Obiurgationes nonnunquam incident necessariae. [Cícero, De Officiis 1.38] Algumas vezes as repreensões se tornam necessárias.
146. Obiurgationi semper blanditiae aliquid admisce. [Publílio Siro] À tua censura junta sempre um pouco de ternura.
147. Oblata arripe. Pega o que te foi oferecido. ■Quando te derem a vaca, vem logo com a corda. VIDE: ●Quod datur, accipimus. ●Saccus adaptetur, porcellus cum tibi detur.
147b. Oblata occasio neutiquam est omittenda, namque post est occasio calva, licet fronte capillata. Não se deve deixar escapar, de maneira nenhuma, a ocasião que se oferece, pois a ocasião é calva por detrás, embora tenha a testa cabeluda.
148. Oblata occasione, vel iustus peccat. Quando a ocasião se oferece, até o justo peca. ■Diante da arca aberta, o justo peca. ■Arca aberta, o justo peca. ■Porta aberta, o justo peca. ■A ocasião faz o ladrão. ●Oblata occasione, vel iustus perit. [Pereira 111] Quando a ocasião se oferece, até o justo cai. VIDE: ●Occasio facit furem. ●Occasio furem facit. ●Occasio furtum facit; fur nascitur. ●Occasiones solent aditus aperire peccatis. ●Praetextu solum eget improbitas.
149. Oblata occasione utendum. Quando a oportunidade se oferece, deve-se aproveitar. ■Apanha a ocasião por um cabelo. ●Oblatam occasionem arripe. [DAPR 82] Agarra a oportunidade que se oferece. VIDE: ●Noli oblatam occasionem praetermittere. ●Occasio capienda est. ●Occasionem arripe. ●Prospera sors volucri praecipienda manu.
150. Obligatio dandi. [Jur] A obrigação de dar.
151. Obligatio est iuris vinculum, quo necessitate adstringimur alicuius solvendae rei, secundum nostrae civitatis iura. [Institutiones 3.13] A obrigação é o vínculo de direito por imposição do qual somos obrigados a pagar alguma coisa, de acordo com as leis de nosso país. ●Obligatio est iuris vinculum, quo necessitate adstringimur ad aliquid dandum, vel faciendum, vel praestandum. A obrigação é o vínculo de direito por imposição do qual somos obrigados a dar, fazer ou pagar alguma coisa.
152. Obligatio est mater actionis. [Jur] A obrigação é a mãe do processo.
153. Obligatio faciendi. [Jur] A obrigação de fazer.
154. Obligatio impossibilium nulla est. [Jur] A obrigação de coisas impossíveis é nula. ■Ninguém é obrigado a fazer o impossível. ■Quem promete o que não pode a cumprir não está obrigado. VIDE: ●Ad impossibile nemo obligatur. ●Ad impossibile nemo tenetur. ●Ad impossibilia nemo tenetur. ●Impossibilium nulla obligatio est. ●Impotentia excusat legem. ●Lex non cogit ad impossibilia. ●Lex neminem cogit ad impossibile. ●Lex neminem cogit ad impossibilia. ●Nemo ad impossibile tenetur. ●Nemo ad impossibilia tenetur. ●Nemo potest ad impossibile obligari. ●Ultra posse nemo obligatur. ●Ultra posse suum nullum lex iusta cöegit. ●Ultra posse suum profecto nemo tenetur. ●Ultra vires nemo tenetur.
155. Obligatio omnis solutione eius quo debetur tollitur. [Jur / Rezende 4495] Qualquer obrigação extingue-se pelo pagamento do débito. VIDE: ●Solutione eius quod debetur, tollitur omnis obligatio.
156. Obligatio reparandi damna. [Jur] Obrigação de reparar danos.
157. Obligatio restituendi bona illegitime acquisita. [Jur] Obrigação de restituir bens ilegitimamente adquiridos.
158. Obligatio ultro citroque. [Jur] Obrigação recíproca. Compromisso recíproco.
159. Oblitus es caeno, sed non oblitus honoris. [Jogo de palavras] Estás coberto de lama, mas não esqueceste a honra.
160. Oblivio signum neglegentiae. [Jur] O esquecimento é sinal de negligência.
161. Oblivisci suorum, ac memoriam cum corporibus efferre, inhumani animi est. [Sêneca, Epistulae Morales 99] Esquecer-se dos seus, e sepultar a sua memória com os corpos é desumano.
162. Oboedire oportet Deo magis quam hominibus. [Vulgata, Atos 5.29] Deve-se obedecer mais a Deus do que aos homens.
163. Oboedite praepositis vestris et subiacete eis. [Vulgata, Hebreus 13.17] Obedecei a vossos superiores e sede-lhes sujeitos. VIDE: ●Oboedite praepositis vestris etiam dyscolis. ●Servi, subditi in omni timore dominis, non tantum bonis et modestis, sed etiam dyscolis.
164. Oboedite praepositis vestris etiam dyscolis. [Rezende 4492] Obedecei a vossos superiores, mesmo que sejam impertinentes. VIDE: ●Oboedite praepositis vestris et subiacete eis. ●Servi, subditi in omni timore dominis, non tantum bonis et modestis, sed etiam dyscolis.
165. Obolis quattuor non emam. [Pereira 111] Não darei por isso nem quatro vinténs. ■Não vale um vintém furado. ■Não darei por isso um figo podre. VIDE: ●Vitiosa nuce non emam.
166. Obolorum fur tandem fit marsupiorum raptor. [Victorin Weinreiter, Sammlung von 500 Sprüchwörtern 106] Ladrão de moedas acaba assaltante de bolsas. ■Quem rouba um cesto, rouba um cento. ■Ladrão de tostão, ladrão de milhão. VIDE: ●Qui vitulum tollit, taurum subducet et idem.
167. Obrepsit non intellecta senectus. [Juvenal, Satirae 9.129] A velhice aproximou-se sem ser percebida. VIDE: ●Dum bibimus, dum serta, unguenta, puellas poscimus, obrepit non intellecta senectus.
168. Obscena pecunia. [Juvenal, Satirae 6.298] Dinheiro sujo.
169. Obscuratur et offunditur luce solis lumen lucernae. [Cícero, De Finibus 3.45] A chama da lâmpada perde a claridade e é ofuscada pela luz do sol.
170. Obscure dictum habetur pro non dicto. [Jur] O que foi dito em termos obscuros tem-se por não dito.
171. Obscurum Deo nihil potest esse. [Grynaeus 581] Para Deus nada pode ser incompreensível. ■A Deus nada se esconde.
172. Obscurum per obscurius. [Rezende 4501] (Explicar) o obscuro pelo mais obscuro. ●Obscurum per obscurius, ignotum per ignotius. (Explicar) o obscuro pelo mais obscuro, o desconhecido pelo mais desconhecido. VIDE: ●Ignotum per ignotius.
173. Obscurum vestis contegit ampla genus. [Pereira 99] Boa roupa esconde origem obscura. ■Com bom traje se encobre ruim linhagem. ■Bom traje encobre ruim linhagem. VIDE: ●Vestis virum facit. ●Vestis virum reddit. ●Vir bene vestitus pro vestibus videtur peritus.
174. Obsequia Fortunae. [Quinto Cúrcio, Historiae 8.4] Os favores da deusa Fortuna.
175. Obsequio mitigantur imperia. [Quinto Curcio, Historiae 8.8] Com favores, abrandam-se os governos.
176. Obsequio plurima vincit amor. [Tibulo, Elegiae 1.4] O amor consegue muitas coisas pela condescendência.
177. Obsequio retinentur amici. [Dionísio Catão, Disticha 1.34, adaptado] Com favores conservam-se os amigos. VIDE: ●Dando retinentur amici.
178. Obsequitur denti superambula lingua dolenti. [DAPR 397] A língua andarilha vai onde dói o dente. ■A língua bate onde dói o dente. ■Lá vai a língua onde grita o dente. VIDE: ●Quo dolor est dentis, versatur lingua dolentis. ●Semper cum dente remanebit lingua dolente. ●Ubi dolet, ibi manus adhibemus.
179. Obsequium amicos, veritas odium parit. [Terêncio, Andria 68] O favor faz amigos, a verdade cria ódio. ■A verdade provoca ódios. ■Mal me querem as comadres, porque lhes digo as verdades. ■Mais perde em amizades quem mais teima nas verdades. ●Obsequium amicos, veritas odium, familiaritas contemptum parit. [Stevenson 756] O favor faz amigos, a verdade gera ódio, a familiaridade cria desprezo. ●Obsequium amicos, veritas inimicos parit. O favor faz amigos, a verdade cria inimigos. VIDE: ●E veritate odium. ●Hoc tempore obsequium amicos, veritas odium parit. ●Odium veritas parit. ●Veritas odium parit, obsequium amicos.
180. Obsequium benevoli animi finem non habet. [Publílio Siro] A gentileza de um coração dedicado não conhece limite. VIDE: ●Officium benevoli animi finem non habet.
181. Obsequium quaere. [Tales de Mileto / Rezende 4504] Busca a boa-vontade.
182. Obsequium tigresque domat Numidasque leones. [Ovídio, Ars Amatoria 1.2.183] A afabilidade doma tigres e leões. ■Dádivas aplacam homens e deuses. ●Obsequium tigresque domat rabidosque leones. A afabilidade doma os tigres e os furiosos leões. ●Obsequium domat et tigres. A gentileza doma até os tigres.
183. Observa dominum cui vis aequalis haberi. [Pereira 105] Obedece ao senhor a quem queres igualar-te. ■Faze o que te manda teu senhor, sentar-te-ás com ele ao sol.
184. Observandum, sed non imitandum. É para se observar, mas não para imitar.
185. Observantia legum summa libertas. [Dante, Epistulae 6.22, adaptado] A observância das leis é a suprema liberdade.
186. Observat nullam res urgentissima legem. [Pereira 95] A coisa muito urgente não obedece a nenhuma lei. ■A necessidade não tem lei.
187. Observat positam plebecula subdita legem. [Pereira 109] O povinho subordinado obedece à lei (que lhe é) imposta. ■Lá vão as leis aonde as querem os reis.
188. Observat sapiens sibi tempus in ore loquendi; insipiens loquitur spretum sine tempore verbum. [Catão / Columbano / John Wight Duff, Minor Latin Poets 632] O ajuizado observa o tempo próprio de falar; o tolo diz a qualquer hora palavra digna de desprezo.
189. Observato modum, nam rebus in omnibus illud optimum erit, si quis tempus spectaverit aptum. [Hesíodo / Manúcio, Adagia 315] Respeita o bom-senso, pois em todas as coisas se terá o melhor, se se esperar o momento oportuno.
190. Obsistere homines legibus, meritis capi. [Fedro, Fabulae 3.15.20] Os homens se rebelam contra as ordens, mas se deixam apanhar pelos favores. ■Mais se ganha no paço às barretadas do que no campo às lançadas.
191. Obsistet inolita consuetudo, sed meliori consuetudine devincetur. [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 4.12.22] O costume arraigado oferecerá resistência, mas será vencido por costume melhor.
192. Obsonium dum quaero, vestes perdidi. [Schottus, Adagia 611] Enquanto procuro comida, perdi as roupas. ■F